Cai o dia


Se cada dia cai, dentro de cada noite,
há um poço
onde a claridade está presa.

há que sentar-se na beira
do poço da sombra
e pescar luz caída
com paciência.

Pablo Neruda, Últimos Poemas

O divino - "qui surveille"

Poema de John Steinbeck in A um deus desconhecido, Ed. Livros do Brasil, 2014: p. 7

Páginas perdidas


Livro do Amor

O mais singular livro dos livros
É o Livro do Amor;
Li-o com toda a atenção:
Poucas folhas de alegrias,
De dores cadernos inteiros.
Apartamento faz uma secção.
Reencontro! um breve capítulo,
Fragmentário. Volumes de mágoas
Alongados de comentários,
Infinitos, sem medida.
Ó Nisami! — mas no fim
Achaste o justo caminho;
O insolúvel, quem o resolve?
Os amantes que tornam a encontrar-se.


Johann Wolfgang von Goethe, in "Divã Ocidental-Oriental"
Tradução de Paulo Quintela

Conta gotas


Coração em gota.


(E o poema que podia ser perfeito).


[dixit Vara Luiz, Samora Correia]


Gota d'água


E qualquer desatenção, faça não
Pode ser a gota d'água

Chico Buarque, Gota d'água, 1975

Semana da inclusão


Na semana entre 3 e 7 de dezembro de 2018 refletimos sobre a inclusão da Pessoa com Deficiência, cuja efeméride se assinala hoje, internacionalmente. E porque na escola as crianças e jovens com diferenças intelectuais e desenvolvimentais precisam de aumentar a participação nos processos de ensino e de aprendizagem, de modo a obterem conhecimentos, capacidades e atitudes significativas, torna-se necessário sensibilizar a comunidade educativa para atenderem à diferença.

As atividades partem da visualização de uma curta-metragem, filme ou leitura de eBook como motores da análise pessoal. 

Deixa nos comentários a tua resposta às seguintes questões ou participa no grupo LeI_Leituras Inclusivas no G+
  • Que ensinamentos extraímos da obra (que escolheste)?
  • Que reflexão fazes tu, pessoalmente, acerca da diferença física e/ou intelectual? E das outras diferenças étnicas, sociais, culturais, religiosas, etc... ?

Dia do coração


O Coração

Que jogo jogas, comédia ou lágrima? Cor 
suspensa. Prodígio doendo. Enganador 
relâmpago. Donde se enreda esta coragem 
que chora ao riso e ri à dor? Quatro são 

as pedras mestras do teu jogo. Dois cavalos 
e os reis. Melancólicos actores. Vazia, a 
plateia. O tempo ferido. O peão fugitivo. 
A emoção real do presságio. O aceno 

cordial do outro lado do jogo. Inscrição 
única do pólen, jogada que se arrasta. 
Gota de tédio na lonjura das casas. 

O fecho do jogo se conclui. Muda o rosto a 
visão possível. Cordato, o lance destrói 
a memória do que já não vejo ou sei. 

Orlando Neves, in "Decomposição - o Corpo" 

O vento


É fácil dizer que o vento
tem gatos na voz
enfurecidos.

Que afaga e despenteia,
traz a chuva.

Que levanta as telhas,
exercita na noite
os nossos mais pesados
pesadelos.

É fácil ser poeta
à custa do vento.

Fingir que não sabemos
que o vento não é senão
o vazio que muda de lugar.


A.M. Pires Cabral, in Arado, ed. Cotovia