Semana da inclusão


Na semana entre 3 e 7 de dezembro de 2018 refletimos sobre a inclusão da Pessoa com Deficiência, cuja efeméride se assinala hoje, internacionalmente. E porque na escola as crianças e jovens com diferenças intelectuais e desenvolvimentais precisam de aumentar a participação nos processos de ensino e de aprendizagem, de modo a obterem conhecimentos, capacidades e atitudes significativas, torna-se necessário sensibilizar a comunidade educativa para atenderem à diferença.

As atividades partem da visualização de uma curta-metragem, filme ou leitura de eBook como motores da análise pessoal. 

Deixa nos comentários a tua resposta às seguintes questões ou participa no grupo LeI_Leituras Inclusivas no G+
  • Que ensinamentos extraímos da obra (que escolheste)?
  • Que reflexão fazes tu, pessoalmente, acerca da diferença física e/ou intelectual? E das outras diferenças étnicas, sociais, culturais, religiosas, etc... ?

Dia do coração


O Coração

Que jogo jogas, comédia ou lágrima? Cor 
suspensa. Prodígio doendo. Enganador 
relâmpago. Donde se enreda esta coragem 
que chora ao riso e ri à dor? Quatro são 

as pedras mestras do teu jogo. Dois cavalos 
e os reis. Melancólicos actores. Vazia, a 
plateia. O tempo ferido. O peão fugitivo. 
A emoção real do presságio. O aceno 

cordial do outro lado do jogo. Inscrição 
única do pólen, jogada que se arrasta. 
Gota de tédio na lonjura das casas. 

O fecho do jogo se conclui. Muda o rosto a 
visão possível. Cordato, o lance destrói 
a memória do que já não vejo ou sei. 

Orlando Neves, in "Decomposição - o Corpo" 

O vento


É fácil dizer que o vento
tem gatos na voz
enfurecidos.

Que afaga e despenteia,
traz a chuva.

Que levanta as telhas,
exercita na noite
os nossos mais pesados
pesadelos.

É fácil ser poeta
à custa do vento.

Fingir que não sabemos
que o vento não é senão
o vazio que muda de lugar.


A.M. Pires Cabral, in Arado, ed. Cotovia

Entre escolher o que semear e colher o que se plantou


Morre lentamente
quem se transforma em escravo do hábito,
repetindo todos os dias os mesmos trajectos, quem não muda de marca
Não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente
quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente
quem evita uma paixão,
quem prefere o negro sobre o branco
e os pontos sobre os "is" em detrimento de um redemoinho de emoções,
justamente as que resgatam o brilho dos olhos,
sorrisos dos bocejos,
corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente
quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho,
quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho,
quem não se permite pelo menos uma vez na vida,
fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente
quem não viaja,
quem não lê,
quem não ouve música,
quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente
quem destrói o seu amor-próprio,
quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente,
quem passa os dias queixando-se da sua má sorte
ou da chuva incessante.
Morre lentamente,
quem abandona um projecto antes de iniciá-lo,
não pergunta sobre um assunto que desconhece
ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves,
recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior
que o simples facto de respirar. Somente a perseverança fará com que conquistemos
um estágio esplêndido de felicidade.

Martha Medeiros

Antipoesia

Tristes daqueles que (me) matam a poesia
Tristes daqueles que (me) matam o precioso tempo 
Tristes daqueles tristes que nunca chegam a despertar
Tristes daqueles que tristes entristecem os outros
E triste desta desprezível não-poesia triste.

2018 © PCAA



"Há Chefs na Escola!"


Finalizado o projeto "Há Chefs na Escola!" no âmbito do Programa PMI nas Escolas, divulgamos agora na escola o resultado à comunidade, no dia do patrono...

Palavra-beijo


Apócrifo de Alexandre O'Neill

Palavras há que são beijos.


13 de Abril - Dia Internacional do Beijo

Construindo o Natal


A Árvore, a Estrela e a Pequena Mão

A pequena mão desenha a árvore
onde uma estrela se aninha para dormir.
Que dia será o de amanhã
no meio dos escombros onde o eco da súplica
enlouquece os cães famintos?
Quadro trágico para uma noite assim.
A pequena mão pega na borracha
e tenta apagar toda a dor do mundo
e acender com um novo traço
a claridade que resgata a alma.
A estrela acorda numa copa alta
e segue o caminho do que sabe
até encontrar a pequena mão
que tudo reinventa à medida do que somos.
Quando o encontro acontece
já não é noite nem dia, tempo infinito,
mas apenas um lugar onde o choro das crianças
de súbito se transforma em cântico.

A pequena mão desenha tudo
o que falta desenhar para o sonho fazer sentido.
É uma mão frágil mas firme, apenas sábia,
e quando abre o livro azul das manhãs
é sempre para escrever as palavras
que o estrondo abafou nas cidades feridas.
A pequena mão desenha uma árvore,
uma estrela e uma mãe aflita.
Depois desenha uma linha de horizonte,
uma constelação e uma pequena arca.
Um traço basta para criar a luz.
Depois tudo é mistério e júbilo.
Que ao menos esta noite ninguém se esqueça
da árvore, da estrela, da lenda
e da magia da pequena mão afagando a vida.

José Jorge Letria, in 'Antologia Poética'


Árvore de Natal dos especiais