Tristes daqueles que (me) matam a poesia
Tristes daqueles que (me) matam o precioso tempo
Tristes daqueles tristes que nunca chegam a despertar
Tristes daqueles que tristes entristecem os outros
E triste desta desprezível não-poesia triste.
2018 © PCAA
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Apócrifo de Alexandre O'Neill
Palavras há que são beijos.
13 de Abril - Dia Internacional do Beijo
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A Árvore, a Estrela e a Pequena Mão
A pequena mão desenha a árvore
onde uma estrela se aninha para dormir.
Que dia será o de amanhã
no meio dos escombros onde o eco da súplica
enlouquece os cães famintos?
Quadro trágico para uma noite assim.
A pequena mão pega na borracha
e tenta apagar toda a dor do mundo
e acender com um novo traço
a claridade que resgata a alma.
A estrela acorda numa copa alta
e segue o caminho do que sabe
até encontrar a pequena mão
que tudo reinventa à medida do que somos.
Quando o encontro acontece
já não é noite nem dia, tempo infinito,
mas apenas um lugar onde o choro das crianças
de súbito se transforma em cântico.
A pequena mão desenha tudo
o que falta desenhar para o sonho fazer sentido.
É uma mão frágil mas firme, apenas sábia,
e quando abre o livro azul das manhãs
é sempre para escrever as palavras
que o estrondo abafou nas cidades feridas.
A pequena mão desenha uma árvore,
uma estrela e uma mãe aflita.
Depois desenha uma linha de horizonte,
uma constelação e uma pequena arca.
Um traço basta para criar a luz.
Depois tudo é mistério e júbilo.
Que ao menos esta noite ninguém se esqueça
da árvore, da estrela, da lenda
e da magia da pequena mão afagando a vida.
José Jorge Letria, in 'Antologia Poética'
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| Árvore de Natal dos especiais |
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Chamo-Te
Chamo-Te porque tudo está ainda no princípio
E suportar é o tempo mais comprido.
Sophia de Mello Breyner Andresen
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«No fundo do horizonte
sopra o murmúrio para onde vai.
No fundo do tempo
foge o futuro, é tarde demais...
E uma vontade de rir nasce do fundo do ser.
E uma vontade de ir, correr o mundo e partir,
a vida é sempre a perder...»
Xutos & Pontapés, Homem do Leme
Zé Pedro (13-09-1956 ~ 30-11-2017)
«Pensas que eu sou um caso isolado
Não sou o único a olhar o Céu
A ver os sonhos partirem
À espera que algo aconteça
A despejar a minha raiva
A viver as emoções
A desejar o que não tive
Agarrado às tentações»
(...)
Resistência, Não sou o único
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As palavras saem
e voltam para trás
fugindo do vazio
silencioso tenebroso.
Assim tende a ser sempre
Enquanto ele existir
Vazio, silencioso, opaco.
2017 © PCAA
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