Diferentemente igual

No dia 3 de dezembro assinalou-se o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência.
Os alunos participaram na construção de um cartaz e nas frases, dando ênfase à valorização do respeito pela diferença.










S. Martinho

No dia 11 de novembro, o Núcleo de Educação Especial e Apoios Educativos reuniu os alunos em torno de atividades promotoras do seu desenvolvimento - de manhã confecionámos um bolo de iogurte sem glúten e preparámos as castanhas. À tarde, promovendo a interação e a socialização das crianças, partilhámos o lanche e também recordámos a lenda de S. Martinho pelo João Pinto do 7ºB.
 
 

Recorte


Chegaste
com a tua tesoura de jardineiro
e começaste a cortar:
umas folhas aqui e ali
uns ramos
que não doeram…
Eu estava desprevenida
quando arrancaste a raiz.

Yvette Centeno

Entre as margens


É um poema de amor.
Começa num sorriso promissor
E acaba num soluço
De saudade.
Entre essas duas margens,
Um rio de silêncio.
Um rio largo, onde se espelha, baça,
A paisagem severa de uma vida,
A que faltou a graça
Dessa remota hora repetida.

Miguel Torga
Diário XIII, p. 95
Coimbra, 15 de Maio de 1979

Atemporal

Enquanto se faz longo e profundo o meu sono, a intemporalidade mítica do:


Idílio

Quando nós vamos ambos, de mãos dadas,
Colher nos vales lírios e boninas,
E galgamos dum fôlego as colinas
Dos rocios da noite inda orvalhadas:

Ou, vendo o mar, das ermas cumeadas,
Contemplamos as nuvens vespertinas
Que parecem fantásticas ruínas
Ao longe, no horizonte, amontoadas:

Quantas vezes, de súbito, emudeces!
Não sei que luz no teu olhar flutua;
Sinto tremer-te a mão, e empalideces...

O vento e o mar murmuram orações,
E a poesia das cousas se insinua
Lenta e amorosa em nossos corações.

Antero de Quental

in Antologia 366 poemas que falam de amor, Vasco Graça Moura (org.). Lisboa: Quetzal, 2003: 427


Algures


Quero, terei -
Se não aqui,
Noutro lugar que inda não sei.
Nada perdi.
Tudo serei.

Fernando Pessoa

Mais um dia, mais poesia


Mulher-poetisa

Pareces um mistério 
intransponível

Alguém que se 
esquivou
ao seu preceito

Na recusa 
de obedecer à vida

Ao quererem-te domada
e desse jeito
dócil obediente submissa

"Impossível!" - respondeste
branda e esquiva

Sou mulher
Revoltosa
E poetisa

Maria Teresa Horta, Poemas para Leonor, Lisboa: D. Quixote, 2012

Ar sem ar

A cabeça no ar

As coisas melhores são feitas no ar,
andar nas nuvens, devanear,
voar, sonhar, falar no ar
e ir lá para dentro morar,
ou então estar em qualquer sítio só a estar,
a respiração a respirar,
o coração a pulsar,
o sangue a sangrar
a imaginação a imaginar,
os olhos a olhar
             (embora sem ver),
e ficar muito quietinho a ser,
os tecidos a tecer,
os cabelos a crescer,
e isto tudo a saber
que isto tudo está a acontecer!
As coisas melhores são de ar,
só é preciso abrir os olhos e olhar,
basta respirar.


Manuel António Pina, O Pássaro da Cabeça e Mais Versos para Crianças. Porto: Assírio & Alvim, 2012: p. 25-26