Enquanto se faz longo e profundo o meu sono, a intemporalidade mítica do:
Idílio
Quando nós vamos ambos, de mãos dadas,
Colher nos vales lírios e boninas,
E galgamos dum fôlego as colinas
Dos rocios da noite inda orvalhadas:
Ou, vendo o mar, das ermas cumeadas,
Contemplamos as nuvens vespertinas
Que parecem fantásticas ruínas
Ao longe, no horizonte, amontoadas:
Quantas vezes, de súbito, emudeces!
Não sei que luz no teu olhar flutua;
Sinto tremer-te a mão, e empalideces...
O vento e o mar murmuram orações,
E a poesia das cousas se insinua
Lenta e amorosa em nossos corações.
Antero de Quental
in Antologia 366 poemas que falam de amor, Vasco Graça Moura (org.). Lisboa: Quetzal, 2003: 427
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Quero, terei -
Se não aqui,
Noutro lugar que inda não sei.
Nada perdi.
Tudo serei.
Fernando Pessoa
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Mulher-poetisa
Pareces um mistério
intransponível
Alguém que se
esquivou
ao seu preceito
Na recusa
de obedecer à vida
Ao quererem-te domada
e desse jeito
dócil obediente submissa
"Impossível!" - respondeste
branda e esquiva
Sou mulher
Revoltosa
E poetisa
Maria Teresa Horta, Poemas para Leonor, Lisboa: D. Quixote, 2012
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A cabeça no ar
As coisas melhores são feitas no ar,
andar nas nuvens, devanear,
voar, sonhar, falar no ar
e ir lá para dentro morar,
ou então estar em qualquer sítio só a estar,
a respiração a respirar,
o coração a pulsar,
o sangue a sangrar
a imaginação a imaginar,
os olhos a olhar
(embora sem ver),
e ficar muito quietinho a ser,
os tecidos a tecer,
os cabelos a crescer,
e isto tudo a saber
que isto tudo está a acontecer!
As coisas melhores são de ar,
só é preciso abrir os olhos e olhar,
basta respirar.
Manuel António Pina, O Pássaro da Cabeça e Mais Versos para Crianças. Porto: Assírio & Alvim, 2012: p. 25-26
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«Como ele sempre dissera: o rio e o coração,
o que os une? O rio nunca está feito,
como não está o coração. Ambos são
sempre nascentes, sempre nascendo.
Ou como eu hoje escrevo: milagre é o rio
não findar mais. Milagre é o coração
começar sempre no peito de outra vida.»
Mia Couto, A chuva Pasmada, Lisboa: Ed. Caminho, 2012
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Conto, hoje
by paulacris às 20:28 Etiquetas: Contos Literários, Rimbaud, Sophia de Mello Breyner Andresen
«E como os anos iam passando, em 74 chegámos ao 25 de Abril.
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| Vicent van Gogh, The Mulberry tree, 1889 |
A vida é o dia de hoje,
a vida é ai que mal soa,
a vida é sombra que foge,
a vida é nuvem que voa;
a vida é sonho tão leve
que se desfaz como a neve
e como o fumo se esvai:
A vida dura um momento,
mais leve que o pensamento,
a vida leva-a o vento,
a vida é folha que cai!
João de Deus
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