A cabeça no ar
As coisas melhores são feitas no ar,
andar nas nuvens, devanear,
voar, sonhar, falar no ar
e ir lá para dentro morar,
ou então estar em qualquer sítio só a estar,
a respiração a respirar,
o coração a pulsar,
o sangue a sangrar
a imaginação a imaginar,
os olhos a olhar
(embora sem ver),
e ficar muito quietinho a ser,
os tecidos a tecer,
os cabelos a crescer,
e isto tudo a saber
que isto tudo está a acontecer!
As coisas melhores são de ar,
só é preciso abrir os olhos e olhar,
basta respirar.
Manuel António Pina, O Pássaro da Cabeça e Mais Versos para Crianças. Porto: Assírio & Alvim, 2012: p. 25-26
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«Como ele sempre dissera: o rio e o coração,
o que os une? O rio nunca está feito,
como não está o coração. Ambos são
sempre nascentes, sempre nascendo.
Ou como eu hoje escrevo: milagre é o rio
não findar mais. Milagre é o coração
começar sempre no peito de outra vida.»
Mia Couto, A chuva Pasmada, Lisboa: Ed. Caminho, 2012
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Conto, hoje
by paulacris às 20:28 Etiquetas: Contos Literários, Rimbaud, Sophia de Mello Breyner Andresen
«E como os anos iam passando, em 74 chegámos ao 25 de Abril.
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| Vicent van Gogh, The Mulberry tree, 1889 |
A vida é o dia de hoje,
a vida é ai que mal soa,
a vida é sombra que foge,
a vida é nuvem que voa;
a vida é sonho tão leve
que se desfaz como a neve
e como o fumo se esvai:
A vida dura um momento,
mais leve que o pensamento,
a vida leva-a o vento,
a vida é folha que cai!
João de Deus
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Sem poesia adequada
Sem nada
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Aqui me sentei quieta
Com as mãos sobre os joelhos
Quieta muda secreta
Passiva como os espelhos
Musa ensina-me o canto
Imanente e latente
Eu quero ouvir devagar
O teu súbito falar
Que me foge de repente
Sophia de Mello Breyner Andresen, in Dual (1972)/ in Obra Poética (2010)
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Derramado
...
Perdido, perdido, este vagabundear dos meus olhos
sobre os livros fechados e decorados,
sobre as árvores roídas,
sobre as coisas quietas, quietas...
...
Fernando Namora, in Mar de Sargaços
Romancista, ensaísta, poeta [15-4-1919, Condeixa-a-Nova ~ 31-1-1989, Lisboa].
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