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Tempo inexorável














Burnt Norton
                         I
O tempo presente e o tempo passado
Estão ambos talvez presentes no tempo futuro,
E o tempo futuro contido no tempo passado.
Se todo o tempo é eternamente presente
Todo o tempo é irredimível.
O que podia ter sido é uma abstracção
Permanecendo possibilidade perpétua
Apenas num mundo de especulação.
O que podia ter sido e o que foi
Tendem para um só fim, que é sempre presente.
Ecoam passos na memória
Ao longo do corredor que não seguimos
Em direcção à porta que nunca abrimos
Para o roseiral. As minhas palavres ecoam
Assim, no teu espírito.
                          Mas para quê
Perturbar a poeira numa taça de folhas de rosa
Não sei.
                         Outros ecos
Habitam o jardim. Vamos segui-los?
Depressa, disse a ave, procura-os, procura-os,
Na volta do caminho. Através do primeiro portão,
No nosso primeiro mundo, seguiremos
O chamariz do tordo?
(...)
Vai, vai, vai, disse a ave: o género humano
Não pode suportar muita realidade.
O tempo passado e o tempo futuro
O que podia ter sido e o que foi
Tendem para um só fim, que é sempre presente.
(...)

T.S. Eliot

Thomas Stearns Eliot (St. Louis/Missouri - EUA, 26 de setembro de 1888 — Londres, 4 de janeiro de 1965) - poeta modernista, dramaturgo e crítico literário inglês. Muda-se para Inglaterra em 1914 e obtém cidadania britânica em 1927 com 39 anos. Entre as influências do pós-guerra dos anos 20 e o simbolista francês Charles Baudelaire em Paris, vem a ganhar o Prémio Nobel em 1948.