- Que ensinamentos extraímos da obra (que escolheste)?
- Que reflexão fazes tu, pessoalmente, acerca da diferença física e/ou intelectual? E das outras diferenças étnicas, sociais, culturais, religiosas, etc... ?
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O Coração
Que jogo jogas, comédia ou lágrima? Cor
suspensa. Prodígio doendo. Enganador
relâmpago. Donde se enreda esta coragem
que chora ao riso e ri à dor? Quatro são
as pedras mestras do teu jogo. Dois cavalos
e os reis. Melancólicos actores. Vazia, a
plateia. O tempo ferido. O peão fugitivo.
A emoção real do presságio. O aceno
cordial do outro lado do jogo. Inscrição
única do pólen, jogada que se arrasta.
Gota de tédio na lonjura das casas.
O fecho do jogo se conclui. Muda o rosto a
visão possível. Cordato, o lance destrói
a memória do que já não vejo ou sei.
Orlando Neves, in "Decomposição - o Corpo"
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É fácil dizer que o vento
tem gatos na voz
enfurecidos.
Que afaga e despenteia,
traz a chuva.
Que levanta as telhas,
exercita na noite
os nossos mais pesados
pesadelos.
É fácil ser poeta
à custa do vento.
Fingir que não sabemos
que o vento não é senão
o vazio que muda de lugar.
A.M. Pires Cabral, in Arado, ed. Cotovia
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Entre escolher o que semear e colher o que se plantou
by paulacris às 19:45 Etiquetas: Martha Medeiros, Poesia
Morre lentamente
quem se transforma em escravo do hábito,
repetindo todos os dias os mesmos trajectos, quem não muda de marca
Não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente
quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente
quem evita uma paixão,
quem prefere o negro sobre o branco
e os pontos sobre os "is" em detrimento de um redemoinho de emoções,
justamente as que resgatam o brilho dos olhos,
sorrisos dos bocejos,
corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente
quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho,
quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho,
quem não se permite pelo menos uma vez na vida,
fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente
quem não viaja,
quem não lê,
quem não ouve música,
quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente
quem destrói o seu amor-próprio,
quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente,
quem passa os dias queixando-se da sua má sorte
ou da chuva incessante.
Morre lentamente,
quem abandona um projecto antes de iniciá-lo,
não pergunta sobre um assunto que desconhece
ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.
Evitemos a morte em doses suaves,
recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior
que o simples facto de respirar. Somente a perseverança fará com que conquistemos
um estágio esplêndido de felicidade.
Martha Medeiros
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Tristes daqueles que (me) matam a poesia
Tristes daqueles que (me) matam o precioso tempo
Tristes daqueles tristes que nunca chegam a despertar
Tristes daqueles que tristes entristecem os outros
E triste desta desprezível não-poesia triste.
2018 © PCAA
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Apócrifo de Alexandre O'Neill
Palavras há que são beijos.
13 de Abril - Dia Internacional do Beijo
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