Branco claro

Sombra e forma

O poema há-de emergir da sombra

florir no zero e no silêncio
o poema que está dentro
da forma por nascer
o poema que já é
antes de ser.


Manuel Alegre, in Nada está escrito, Ed. Dom Quixote, 2012

Branco escuro


Depois do branco

Quem sabe o que na página se esconde

e se dentro do branco está um muro
e se depois do muro não há onde
e se depois do branco é tudo escuro?


Quem sabe o que pode acontecer 
quando ao verso já escrito outro se junta
e tudo está no verso por escrever
e o que se escreve é só uma pergunta?


Quem sabe o que se vê e não se vê
se por dentro do branco apenas cabe
esse nome que nunca ninguém lê
e o verso que se sabe e não se sabe?


Manuel Alegre, in Nada está escrito, Ed. Dom Quixote, 2012