Canção à Ausente
Para te amar ensaiei os meus lábios...
Deixei de pronunciar palavras duras.
Para te amar ensaiei os meus lábios!
Para tocar-te ensaiei os meus dedos...
Banhei-os na água límpida das fontes.
Para tocar-te ensaiei os meus dedos!
Para te ouvir ensaiei meus ouvidos!
Pus-me a escutar as vozes do silêncio...
Para te ouvir ensaiei meus ouvidos!
E a vida foi passando, foi passando...
E, à força de esperar a tua vinda,
De cada braço fiz mudo cipreste.
A vida foi passando, foi passando...
E nunca mais vieste!
Pedro Homem de Mello, in Segredo
Poeta da geração Presença [6-9-1904, Porto - 5-3-1984, Porto] formado em Direito pela Universidade de Coimbra, professor de Português e de Literatura Portuguesa no ensino técnico.
Autor de uma extensa obra (cerca de 25 volumes de poesia), cujas temáticas se inscrevem em duas linhas - a paisagem humana e natural desde o norte minhoto ao centro litoral e a da densidade conflituosa das paixões à qual se prende uma manifestação líria quase confessional.
Foi distinguido com o Prémio Antero de Quental (1940) e o Prémio Nacional de Poesia (1973). A sua obra poética encontra-se compilada em Poesias Escolhidas (1983). Como estudioso do folclore nacional, escreveu A Poesia na Dança e nos Cantares do Povo Português (1941) e Danças de Portugal (s/d).
Subscrever:
Enviar comentários (Atom)









0 comentários:
Enviar um comentário