Na última 4ªfeira, 18/4/2012 e no âmbito do concurso “Conheço um escritor” promovido pela Visão Júnior foi possível conhecer e entrevistar Valter Hugo Mãe que, entre muitas outras informações interessantes decorrente das questões colocadas pela Ana Baptista do 8ºano e pelo pequeno Rui amigo pessoal do escritor, bem como de outros alunos do país, que enviaram as suas questões, nos deu a conhecer mais de si:Escolhera o café Páteo em Vila do Conde para a entrevista, porque apesar de gostar do planeamento isolado e calmo em casa, gosta do ambiente e até do ruído para a criação. Lá escreve páginas e páginas no seu telemóvel… O Páteo também, porque diz que “é como se fosse o pátio das nossas casas onde não precisamos de nos vestir melhor nem de nos pentearmos, pois é como ir ao quintal das nossas casas”.Apesar da formação em direito (exercera dois anos, mas não conseguia salvar o mundo e por isso abdicara) começou o 1º livro aos 11 anos e depois deitou tudo fora, porque achou que aquilo não valia nada. A vida não é como a imaginara, pois ter uma padaria seria uma simples ambição, …teria gostado de ter sempre o que dar às galinhas... :-)Está a escrever um novo romance que tem por tema central uma menina de 12 anos, islandesa que vive no frio das montanhas… Também escreve um livro infanto-juvenil “inspirado no seu sobrinho de 5 anos que diz coisas esquisitas e engraçadas” e a quem faz perguntas para obter a visão do mundo das crianças. O seu sobrinho afirma que as pessoas são coloridas :-) , o que o espanta de verdade.Sobre a inspiração, esta surge de tudo o que vê, não no que as pessoas contam, mas no que imagina que sejam as suas histórias pessoais, inventando assim as suas vidas nos seus romances. Quando a Ana lhe perguntou se pensa que existem muitos homens calados, a propósito da obra “A história de um homem calado”, considera que sim, infelizmente, pois existe muito preconceito e este facto entristece-o – o de termos medo das pessoas diferentes.Dos seus escritores favoritos a Ana também o questionou e disse-nos que gosta particularmente de um poeta de leitura difícil, avesso a autógrafos e entrevistas – Herberto Hélder. Mas também gosta de Fernando Pessoa, Vergílio Ferreira, Saramago e António Lobo Antunes. Falou-nos ainda de um escritor pouco conhecido, mas que na sua opinião virá a ser notável – Afonso Cruz que escreveu “O pintor debaixo do lava-loiças”… ficámos curiosos. Mas o seu livro de sempre é “Metamorfose” de Kafka, a história do homem que se vê transformado em mosquito e cuja preocupação principal era o tormento de como ir para o trabalho, como vestir-se, pôr-se de pé, como continuar com a sua vida…Sobre futuras publicações: este ano sairá um livro que reunirá o conjunto de textos dispersos publicados em jornais e outros meios e ainda um livro para o qual não tem ainda título, facto que o aflige mesmo durante a noite, pois gosta de ter sempre um título para o que escreve… O livro que sairá em setembro estará mais próximo da autobiografia, onde falará mais sobre quem é, o que faz… Da música, estão a gravar para um novo álbum, no próximo ano. Sobre o que anda a ler… no fim do mês vai para o Brasil e por isso atualiza-se nessa área lendo “Zero” de Inácio de Loyola Brandão e o jornalista e escritor Cadão Volpato, escritores com quem vai conversar…A crítica que mais o marcou até agora foi a de Saramago de que transcrevemos o excerto da contracapa do romance “O remorso de Baltasar Serapião”. Segundo Valter Hugo Mãe, este facto fez com que muita gente o conhecesse e lesse, dizendo acerca dos hábitos de leitura que “quem não lê é mais pobre”:
“Este livro é um tsunami, não no sentido destrutivo, mas no da força. Foi a primeira imagem que me veio à cabeça. Este livro é uma revolução. Tem de ser lido, porque traz muito de novo e fertilizará a literatura. Por vezes, tive a sensação de assistir a um novo parto da língua portuguesa.”
José Saramago in “O remorso de Baltasar Serapião”
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