Canção à Ausente
Para te amar ensaiei os meus lábios...
Deixei de pronunciar palavras duras.
Para te amar ensaiei os meus lábios!
Para tocar-te ensaiei os meus dedos...
Banhei-os na água límpida das fontes.
Para tocar-te ensaiei os meus dedos!
Para te ouvir ensaiei meus ouvidos!
Pus-me a escutar as vozes do silêncio...
Para te ouvir ensaiei meus ouvidos!
E a vida foi passando, foi passando...
E, à força de esperar a tua vinda,
De cada braço fiz mudo cipreste.
A vida foi passando, foi passando...
E nunca mais vieste!
Pedro Homem de Mello, in Segredo
Poeta da geração Presença [6-9-1904, Porto - 5-3-1984, Porto] formado em Direito pela Universidade de Coimbra, professor de Português e de Literatura Portuguesa no ensino técnico.
Autor de uma extensa obra (cerca de 25 volumes de poesia), cujas temáticas se inscrevem em duas linhas - a paisagem humana e natural desde o norte minhoto ao centro litoral e a da densidade conflituosa das paixões à qual se prende uma manifestação líria quase confessional.
Foi distinguido com o Prémio Antero de Quental (1940) e o Prémio Nacional de Poesia (1973). A sua obra poética encontra-se compilada em Poesias Escolhidas (1983). Como estudioso do folclore nacional, escreveu A Poesia na Dança e nos Cantares do Povo Português (1941) e Danças de Portugal (s/d).
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Na última 4ªfeira, 18/4/2012 e no âmbito do concurso “Conheço um escritor” promovido pela Visão Júnior foi possível conhecer e entrevistar Valter Hugo Mãe que, entre muitas outras informações interessantes decorrente das questões colocadas pela Ana Baptista do 8ºano e pelo pequeno Rui amigo pessoal do escritor, bem como de outros alunos do país, que enviaram as suas questões, nos deu a conhecer mais de si:Escolhera o café Páteo em Vila do Conde para a entrevista, porque apesar de gostar do planeamento isolado e calmo em casa, gosta do ambiente e até do ruído para a criação. Lá escreve páginas e páginas no seu telemóvel… O Páteo também, porque diz que “é como se fosse o pátio das nossas casas onde não precisamos de nos vestir melhor nem de nos pentearmos, pois é como ir ao quintal das nossas casas”.Apesar da formação em direito (exercera dois anos, mas não conseguia salvar o mundo e por isso abdicara) começou o 1º livro aos 11 anos e depois deitou tudo fora, porque achou que aquilo não valia nada. A vida não é como a imaginara, pois ter uma padaria seria uma simples ambição, …teria gostado de ter sempre o que dar às galinhas... :-)Está a escrever um novo romance que tem por tema central uma menina de 12 anos, islandesa que vive no frio das montanhas… Também escreve um livro infanto-juvenil “inspirado no seu sobrinho de 5 anos que diz coisas esquisitas e engraçadas” e a quem faz perguntas para obter a visão do mundo das crianças. O seu sobrinho afirma que as pessoas são coloridas :-) , o que o espanta de verdade.Sobre a inspiração, esta surge de tudo o que vê, não no que as pessoas contam, mas no que imagina que sejam as suas histórias pessoais, inventando assim as suas vidas nos seus romances. Quando a Ana lhe perguntou se pensa que existem muitos homens calados, a propósito da obra “A história de um homem calado”, considera que sim, infelizmente, pois existe muito preconceito e este facto entristece-o – o de termos medo das pessoas diferentes.Dos seus escritores favoritos a Ana também o questionou e disse-nos que gosta particularmente de um poeta de leitura difícil, avesso a autógrafos e entrevistas – Herberto Hélder. Mas também gosta de Fernando Pessoa, Vergílio Ferreira, Saramago e António Lobo Antunes. Falou-nos ainda de um escritor pouco conhecido, mas que na sua opinião virá a ser notável – Afonso Cruz que escreveu “O pintor debaixo do lava-loiças”… ficámos curiosos. Mas o seu livro de sempre é “Metamorfose” de Kafka, a história do homem que se vê transformado em mosquito e cuja preocupação principal era o tormento de como ir para o trabalho, como vestir-se, pôr-se de pé, como continuar com a sua vida…Sobre futuras publicações: este ano sairá um livro que reunirá o conjunto de textos dispersos publicados em jornais e outros meios e ainda um livro para o qual não tem ainda título, facto que o aflige mesmo durante a noite, pois gosta de ter sempre um título para o que escreve… O livro que sairá em setembro estará mais próximo da autobiografia, onde falará mais sobre quem é, o que faz… Da música, estão a gravar para um novo álbum, no próximo ano. Sobre o que anda a ler… no fim do mês vai para o Brasil e por isso atualiza-se nessa área lendo “Zero” de Inácio de Loyola Brandão e o jornalista e escritor Cadão Volpato, escritores com quem vai conversar…A crítica que mais o marcou até agora foi a de Saramago de que transcrevemos o excerto da contracapa do romance “O remorso de Baltasar Serapião”. Segundo Valter Hugo Mãe, este facto fez com que muita gente o conhecesse e lesse, dizendo acerca dos hábitos de leitura que “quem não lê é mais pobre”:
“Este livro é um tsunami, não no sentido destrutivo, mas no da força. Foi a primeira imagem que me veio à cabeça. Este livro é uma revolução. Tem de ser lido, porque traz muito de novo e fertilizará a literatura. Por vezes, tive a sensação de assistir a um novo parto da língua portuguesa.”
José Saramago in “O remorso de Baltasar Serapião”
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Ontem numa saída a Lisboa, fomos assistir à representação do texto dramático Falar Verdade a Mentir de Almeida Garrett (1799-1854), comédia cuja primeira representação ocorrera em 1845, na Sociedade da Tália, em Lisboa. Esta visita de estudo insere-se no âmbito do estudo do texto dramático e, constituindo texto de leitura integral no 8º ano, é pertinente para a compreensão e interesse pela leitura da obra e para o conhecimento de uma peça de um autor clássico da literatura portuguesa. Espera-se agora que a motivação para o estudo do texto seja ainda maior, porque os alunos apreciaram-no bastante na representação.
| Falar Verdade a Mentir pela Companhia de Teatro O Sonho |
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| Liza Paizis, Lover's Tryst |
Amanhã, o último texto literário no 8º ano - o conto integral do Prémio Nobel, Hermann Hesse, para finalizar a unidade do texto narrativo, do qual fica um breve excerto. E vamos deter-nos em alguns aspetos, entre os quais:
- o exemplo de narrativa cujo narrador participante é protagonista (autodiegético);
- o contraste antitético do espaço frio e exterior, da pista de gelo, com o interior da personagem emotiva e ansiosa, plena de emoções vivendo o amor;
- a constituição do campo semântico dos sentimentos amorosos.
- a constituição do campo semântico dos sentimentos amorosos.
O Cavaleiro sobre o gelo
"Ao mesmo tempo comecei a cumprimentar delicadamente as raparigas e a reparar que elas reparavam nesta homenagem inusitada com um certo espanto, (...)
Muito mais difícil foi para mim o primeiro contacto, porque em toda a minha vida eu nunca tinha "engatado um rapariga". Tentei espreitar os meus amigos nessa primeira cerimónia. Uns faziam apenas uma vénia e estendiam a mão, outros gaguejavam qualquer coisa que não se percebia, mas a grande maioria usava a elegante frase: "Dá-me a honra?" Esta fórmula foi a que se impôs e eu treinei-a quando em casa, no meu quarto, fazia uma vénia, diante do fogão, pronunciando as solenes palavras.
Tinha chegado o dia difícil do primeiro passo. Já ontem tinha tido ideias de fazer uma declaração, mas voltei para casa desencorajado, sem ter ousado sequer. (...)
Estávamos agora de pé, em frente um do outro, amedrontados e perplexos, e sem dizer palavra. (...) E de repente enquanto me parecia ter os olhos enevoados, fiz mecanicamente uma profunda vénia e murmurei: "Dá-me a honra?"
Ela não disse nada, mas pegou-me nas mãos com os seus dedos delicados, e eu senti-lhes o calor através da luva e senti-me desvanecido. Sentia-me tão bem como num sonho fantástico. Uma sensação de felicidade, vergonha, calor, prazer e perplexidade quase me roubou a respiração. Passámos bem um quarto de hora a patinar juntos. (...)
O gelo derreteu e não pude repetir a tentativa. Foi a minha primeira aventura de amor. Mas passaram muitos anos até eu realizar o meu sonho e pôr a minha boca sobre a boca vermelha de uma rapariga."
Hermann Hesse, "O Cavaleiro sobre o gelo" in Contos de Amor, Difel
Escritor alemão [1877-1962] naturalizado suíço. De família muito religiosa, declinando a via missionária, dedica-se antes à literatura, cujo Prémio Nobel recebe em 1946 depois do Prémio Goethe.
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Hoje, 13 de Abril, Dia Mundial do Beijo...
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| Henri de Toulouse-Lautrec, In Bed: The Kiss, 1892 |
Fora de despedida,
Minha Cloe, beijemo-nos, amando.
Ricardo Reis | Fernando Pessoa
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Como preparação para a avaliação da leitura de amanhã e da próxima sexta-feira, realiza os exercícios de verificação da peça teatral Felizmente há luar! de Luís de Sttau Monteiro nesta versão demo da Porto Editora. Relata os teus resultados nos comentários.
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Nesta tarde chuvosa de aguaceiros interiores
Vou imergindo no deambular dos ventos que
pairando e revolvendo tudo em redor, sublimam o meu interior.
Sinto frio e inércia neste inverno sobreposto em mim hoje,
Mas um enorme aconchego, nos teus braços
Que hei de apertar, devolve-me o calor e a certeza do bom tempo.
2012 © PCAA
2012 © PCAA
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Podes escolher, para o contrato de leitura, uma crónica de entre várias sugestões, algumas já aqui divulgadas outras em aula:
O valor das coisas, António Alçada Baptista
A ressurreição de Ivan Ilitch, José Luís Peixoto
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