Traços

Pablo Picasso, Young Girl Struck by Sadness, 1939 
Intimidade


Que ninguém hoje me diga nada. 
Que ninguém venha abrir a minha mágoa, 
esta dor sem nome 
que eu desconheço donde vem 
e o que me diz. 
É mágoa. 
Talvez seja um começo de amor. 
Talvez, de novo, a dor e a euforia de ter vindo ao mundo. 
Pode ser tudo isso, ou nada disso. 
Mas não o afirmo. 
As palavras viriam revelar-me tudo. 
E eu prefiro esta angústia de não saber de quê.


Fernando Namora [1919-1989], in Mar de Sargaços, Coimbra, 1940

Hora anterior

Vou dormir, dormir, dormir,

Nirvana

Vou dormir, dormir, dormir,
Vou dormir sem despertar,
Mas não dormir sem sentir
Que estou dormindo a sonhar.

Não insciência e só treva
Mas também estrelas a abrir
Olhos cujo olhar me enleva,
Que estou sonhando a dormir.

Constelada inexistência
Em que subsiste de meu
Só uma abstracta insciência
Una com estrelas e céu.


20-02-1928
Ricardo Reis| Fernando Pessoa

Impressões


Ontem dia Mundial de Poesia, e um poema hoje:


UM POEMA

Não tenhas medo, ouve:
É um poema
Um misto de oração e de feitiço…
Sem qualquer compromisso,
Ouve-o atentamente,
De coração lavado.
Poderás decorá-lo
E rezá-lo
Ao deitar
Ao levantar,
Ou nas restantes horas de tristeza.
Na segura certeza
De que mal não te faz.
E pode acontecer que te dê paz…

Miguel Torga

Lição nº100

Hoje, Português - 12ºano/PTIE - 100 lições, cem comentários, sem festas!

Guião de trabalho para a aula de Língua Portuguesa, 8ºB:

Vamos hoje construir o glossário do conto A Inaudita guerra da avenida Gago Coutinho de Mário de Carvalho, a fim de conhecermos o vocabulário, antes da análise textual das categorias da narrativa do conto.
Em trabalho de pares, lê o teu excerto, sublinha os termos difíceis ou desconhecidos para ti e para os teus colegas e procura a melhor definição no dicionário. Regista o teu trabalho num documento online, de forma colaborativa
No final obteremos um glossário que consiste numa lista de termos específicos ou listagem terminológica sobre um determinado assunto, o conto em estudo, neste caso.

Depois, pesquisa também quem é Mário de Carvalho e deixa nos comentários: nome, local e data de nascimento, formação académica/ estudos; atividades profissionais; obras publicadas (ano); géneros que escreve; entre outras informações. 
Ou copia para o teu caderno o perfil biobibliográfico do escritor e apresenta-o na aula.

Após o filme 'Felizmente há luar'

12º ano/ Português
Módulo 11| Felizmente há luar

Amanhã...

Depois da visualização do filme que reproduz a peça teatral Felizmente há luar, observemos o esquema síntese:

in Ser em Português, 12º ano, Areal Editores

1. Partindo do esquema sintetiza oralmente o conteúdo da peça;
2. Explica o sentido do título para os opressores e oprimidos;
3. Comenta a frase chave "Quem não é por nós é contra nós"


De seguida vamos analisar as influências do teatro brechtiano na obra de Luís de Sttau Monteiro, seguindo a leitura deste excerto:

                                              in Ser em Português, 12º ano, Areal Editores

4. O que se entende por teatro épico e efeito de distanciação?


Subsídios para o questionário:

Luís de Sttau Monteiro convida-nos através desta peça à análise objetiva à maneira de Brecht que concebeu um teatro didático e épico segundo o qual o espectador funciona como um observador crítico num mundo em pleno devir.
Segundo Brecht há uma ruptura com a concepção tradicional de teatro, na medida em que o teatro assim concebido não é mais destinado a criar terror e piedade na identificação com o herói e na função catártica (catarse) e purificadora, mas antes instaura-se na promoção da capacidade crítica e analítica de quem observa, substituindo-se o sentir pelo pensar. Há um convite à reflexão que os contextos ideológicos do tempo da história e do tempo da escrita, neste caso particular, promovem na denúncia da opressão e injustiça social e dos regimes absolutistas e fascistas e na luta pela liberdade. A peça coloca em paralelo as figuras dos generais Gomes Freire de Andrade e de Humberto Delgado que morrem em nome do Estado.
A peça é uma metáfora política que compara dois tempos e cujo objetivo primordial é espelhar a situação política do Estado Novo relativo à ditadura de Salazar (tempo do discurso, 1961) que enformava as mentalidades grotescas e medievais da nação "orgulhosamente só" em pleno séc. XX e fazendo regressar Portugal ao período do séc. XII anterior à morte de D. Sebastião, período envolto em brumas e obscurantismo.