Contrato de leitura II - 12º ano

Martin Jarrie, Le Monde, 2011

12º ano | Módulo 10... entre Camões e Pessoa:


Até ao final do módulo, relembra-se o contrato de leitura e o preenchimento da respetiva ficha
Como já foi mencionado, as opções são entre as propostas do manual ou os textos épico-líricos abaixo:
- Os Lusíadas, Camões - estâncias que abordam as reflexões do poeta;
- Mensagem, Fernando Pessoa - um poema à escolha, devidamente contextualizado na estrutura externa da obra.

Em ambos os casos, na apreciação crítica, entre muitos outros aspetos, abordar:
- análise formal (estrofes, métrica, rima, recursos expressivos), ...
- análise de conteúdo: tema; assunto; recursos expressivos ao serviço da mensagem que se pretende transmitir; contextualização do poema na estrutura da obra; análise da simbologia; relação com outros textos estudados; apreciação pessoal fundamentada, ...

Início da Mensagem

12º ano | Módulo 10 - Textos líricos e épico-líricos

1. Agora vamos observar a imagem e descodificar a estrutura da obra Mensagem de Fernando Pessoa, relacionando as três partes que a compõem com o último esquema circular:





2. Através da leitura dos textos de apoio:
- vamos perceber quais são os Impérios, nomeadamente o Quinto a que alude Pessoa;
- os símbolos como as partes e os números da obra, e a relação entre os poemas da obra épico-lírica e a bandeira nacional;
- alguns tópicos-síntese que encerra a Mensagem, entre os quais estes também.

O verbo | modo conjuntivo II

Os tempos e modos verbais são recorrentes ao longo da escolaridade básica. Por isso, retomamos este assunto consecutivamente: relembra a informação deste post, e atenta que o uso do modo conjuntivo ocorre com algumas conjunções/ locuções subordinativas e cumulativamente mobilizam-se os particípios passados dos verbos nas formas compostas do conjuntivo.

Algumas frases dos exercícios correspondem a registos cuidados, ao nível da expressão escrita, nomeadamente o recurso à segunda pessoa verbal do plural que admite adaptações na oralidade como vós tendes; teríeis; tiverdes; tivésseis, … que têm vindo a cair em desuso.

Segundo a gramática normativa, os particípios passados regulares (terminados em –ado ou –ido) empregam-se na constituição dos tempos da voz ativa com os verbos auxiliares ter ou haver: Ele tinha/ havia imprimido o trabalho a cores para impressionar mais.

Os particípios passados irregulares usam-se, de preferência, na constituição dos tempos da voz passiva com os verbos auxiliares ser ou estar: O trabalho foi impresso a cores [por mim] para impressionar mais.

Neste link transfere o ficheiro ModoConjuntivo.htm e faz o exercício. Depois comenta a tua classificação...

Olhar e ver


Vincent Van Gogh, Doze girassóis numa jarra, 1888















O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...
[...]

in O Guardador de Rebanhos, 8-3-1914
Alberto Caeiro | Fernando Pessoa

Contrato de leitura 9º ano

David Kracov
9º ano | CEF Foto


Este ano o programa de Português não inclui o texto narrativo, por isso seguem-se três sugestões opcionais para preencheres a ficha de leitura. Pesquisa o autor no dicionário de literatura da biblioteca escolar e faz uma síntese por palavras tuas.


Os três contos encerram uma moral dando-nos uma lição para a qual se aplicam, inclusivamente, alguns conhecidos provérbios... descobre a moral da história:

O Tesouro, Eça de Queirós
A Aia, Eça de Queirós
Civilização, Eça de Queirós

Depois do Desassossego

Porque navegar é preciso, nas águas da reflexão e da criatividade...

Luíza Caetano, Navegar é Preciso II, 2009
12º ano

Depois de terminarmos o último período letivo com o filme do Desassossego baseado no livro homónimo de Bernardo Soares (semi-heterónimo de Fernando Pessoa) - personagem que deambula entre a angústia e o tédio desesperado numa Lisboa labiríntica e donde emanam fragmentos reflexivos, seguem-se alguns tópicos de análise.

Segue estes itens para a elaboração da tua reflexão crítica:
- Lê a sinopse e a nota de intenção do filme;
- Relembra alguns excertos do filme;
- Acede aos fragmentos do Livro do Desassossego e escolhe um excerto de entre os 33 temas; 
- Comenta-o relacionando-o com o filme onde Bernardo Soares vagueia entre múltiplas reflexões.

Exemplos de passagens do livro:

SONHO
"Que confusão é tudo! Como ver é melhor que pensar, e ler melhor que escrever! O que vejo, pode ser que me engane, porém, não o julgo meu. O que leio, pode ser que me pese, mas não me perturba o tê-lo escrito."

VIDA
"Povoamos sonhos, somos sombras errando através de florestas impossíveis, em que as árvores são casas, costumes, ideias, ideais e filosofias."

FELICIDADE
"Contento-me, afinal, com muito pouco: o ter cessado a chuva, o haver um sol bom neste Sul feliz..."

Todas as passagens dão que pensar... vê ainda esta, retirada da obra online:

41

"E não sei o que sinto, não sei o que quero sentir, não sei o que penso nem o que sou."
"Verifico que, tantas vezes alegre, tantas vezes contente, estou sempre triste."
"Não vejo, sem pensar."
"Não há sossego - e, ai de mim!, nem sequer há desejo de o ter."


Que excerto te intriga ou inquieta mais? 
Que reflexão se identifica ou se opõe mais com o teu pensamento?
Porquê?

Claríssimo

Luíza Caetano, Navegar é Preciso I, 2009
Ver claro

Toda a poesia é luminosa, até
a mais obscura.
O leitor é que tem às vezes,
em lugar de sol, nevoeiro dentro de si.
E o nevoeiro nunca deixa ver claro.
Se regressar outra vez
e outra vez
a essas sílabas acesas
ficará cego de tanta claridade.
Abençoado seja se lá chegar.

Eugénio de Andrade, Os Sulcos da Sede


Pseudónimo de José Fontinhas (Póvoa da Atalaia/ Fundão, 19/01/1923 - 13/06/2005, Porto), desenvolve a sua carreira de Inspector dos Serviços Médico-Sociais (1947-1983). Fixa residênca no Porto em 1950, e dedica-se à poesia e à tradução de vários poetas estrangeiros, como Federico García Lorca e Safo. 
Em 1982, o Presidente da República conferiu-lhe o grau de Grande Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada.  Em 1989, ganhou o Grande Prémio de Poesia da APE| Associação Portuguesa de Escritores pelo livro O Outro Nome da Terra. Nesse mesmo ano, recebeu o prémio Jean Malrieu para o melhor livro de poesia estrangeira publicado em França com a obra Blanc sur Blanc. Em 1990, é criada no Porto a Fundação Eugénio de Andrade, extinta estes dias.


Feliz Ano Novo!

Ano Novo : FogosMudam-se os tempos, mudam-se as vontades, segundo o poeta Camões, e o mundo toma sempre novas qualidades: e do mal ficam as mágoas e do bem, se algum houve, ficam as saudades... e todo o mundo é composto de mudança, continuamente vemos novidades...
Então mude-se o ser, o estar e o fazer para um novo ano renascer.





Mudança 

Sente-se em outra cadeira, no outro lado da mesa. Mais tarde, mude de mesa.
Quando sair, procure andar pelo outro lado da rua. Depois, mude de caminho, ande por outras ruas, calmamente, observando com atenção os lugares por onde você passa.
Tome outros ônibus.
Mude por uns tempos o estilo das roupas. Dê os seus sapatos velhos. Procure andar descalço alguns dias. Tire uma tarde inteira para passear livremente na praia, ou no parque, e ouvir o canto dos passarinhos.
Veja o mundo de outras perspectivas.
Abra e feche as gavetas e portas com a mão esquerda. Durma no outro lado da cama... Depois, procure dormir em outras camas. Assista a outros programas de tv, compre outros jornais... leia outros livros.
Viva outros romances.
Não faça do hábito um estilo de vida. Ame a novidade. Durma mais tarde. Durma mais cedo.
Aprenda uma palavra nova por dia numa outra língua.
Corrija a postura.
Coma um pouco menos, escolha comidas diferentes, novos temperos, novas cores, novas delícias.
Tente o novo todo dia. O novo lado, o novo método, o novo sabor, o novo jeito, o novo prazer, o novo amor.
A nova vida. Tente. Busque novos amigos. Tente novos amores. Faça novas relações.
Almoce em outros locais, vá a outros restaurantes, tome outro tipo de bebida, compre pão em outra padaria.
Almoce mais cedo, jante mais tarde ou vice-versa.
Escolha outro mercado... outra marca de sabonete, outro creme dental... Tome banho em novos horários.
Use canetas de outras cores. Vá passear em outros lugares.
Ame muito, cada vez mais, de modos diferentes.
Troque de bolsa, de carteira, de malas, troque de carro, compre novos óculos, escreva outras poesias.
Jogue os velhos relógios, quebre delicadamente esses horrorosos despertadores.
Abra conta em outro banco. Vá a outros cinemas, outros cabeleireiros, outros teatros, visite novos museus.
Mude.
Lembre-se de que a Vida é uma só. E pense seriamente em arrumar um outro emprego, uma nova ocupação, um trabalho mais light, mais prazeroso, mais digno, mais humano.
Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as. Seja criativo.
E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa, longa, se possível sem destino. Experimente coisas novas. Troque novamente. Mude, de novo. Experimente outra vez.
Você certamente conhecerá coisas melhores e coisas piores do que as já conhecidas, mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança, o movimento, o dinamismo, a energia. Só o que está morto não muda!
Repito por pura alegria de viver: a salvação é pelo risco, sem o qual a vida não vale a pena!

Clarice Lispector


De origem judaica, de seu nome verdadeiro Haia Pinkhasovna Lispector (Tchetchelnik/ Ucrânia, 10 de dezembro de 1920 — Rio de Janeiro, 9 de dezembro de 1977) - escritora e jornalista naturalizada brasileira. Estudou direito e publica o seu primeiro romance Perto do Coração Selvagem em 1944, ano do terminus do bacharelato. Foi jornalista e escreveu em inúmeras publicações, entre outros, artigos femininos. O primeiro romance é uma séria tentativa de romance introspetivo e revela a intensidade da sua capacidade de escrever a vida interior. Por isso os críticos situam C.L. numa escrita que ensaia a problemática existencialista de estilo literário introspetivo e inovador. A autora é uma referência na literatura, com o seu estilo fluido e simultaneamente elítico e fragmentário. Os críticos literários situam-na na linha de Kafka e de Virgínia Wolf e James Joyce.


Pequeno Dicionário de Literatura Brasileira, Massaud Moisés org., 5ªed., São Paulo: Cultrix, 1999