Para a finalização do estudo do texto poético do módulo 2/ 10ºano, seguiu-se a verificação de conhecimentos com esta ficha de avaliação.
Avaliação Camões Lírico -10ºano
Dado que os resultados ficaram abaixo do expectável, fica a resolução para copiares para o caderno a fim de verificares e aprofundares mais os teus conhecimentos sobre Camões lírico onde podes fazer a revisão dos conteúdos na preparação da ficha de repetição.
As respostas abertas que se seguem são meramente indicativas e constituem um referencial organizador que se pretende para este exercício escrito.
Proposta de correção
Grupo I
1.1. As marcas do eu lírico patentes na primeira estrofe são: “meu” determinante possessivo; “me” pronome pessoal e “choro” como exemplo de forma verbal na primeira pessoa.
2. As duas antíteses presentes na primeira estrofe são “Que em vivo ardor tremendo estou de frio;/ Sem causa, juntamente choro e rio,” (vv. 2,3) e exprimem a contradição dos efeitos do amor no sujeito lírico que manifesta diferentes e opostos estados de espírito.
3. Verifica-se ao longo do poema o tema do desconcerto do amor provocando incerteza “Tanto de meu estado me acho incerto” (v.1); a desordem, confusão e desvario amorosos “…sinto um desconcerto/…/espero… desconfio/… desvario…acerto” (2ªestrofe); inquietude e ansiedade provocados por uma “Senhora” (v.14).
4. O recurso expressivo patente no verso 6 consiste numa hipérbole, porque exprime o exagero que o sujeito poético exprime face à dor e às lágrimas que lhe saem da alma, mas também podemos considerar o verso como uma metáfora se atentarmos na comparação implícita que expressa a dor como um fogo que sai da alma e as lágrimas como um rio face ao sofrimento que o sujeito lírico experimenta.
5. O paralelismo anafórico verifica-se em “Agora espero, agora desconfio/ Agora desvario, agora acerto.” (vv. 7,8).
5.1. Com recurso ao paralelismo anafórico pretende-se evidenciar ou dar ênfase ao dilema dilacerante que a visão e o amor pela amada provocam no sujeito lírico.
6.Um exemplo de hipérbole podemos encontrar em “Estando em terra, chego ao Céu voando,” (v.9) o que traduz o exagero que o sujeito lírico expõe face ao sentimento e delírio intensos que nutre pela amada.
7. A divisão deste poema acontece tendo em conta os marcadores que colocados intencionalmente estruturam as partes lógicas e articuladas no poema. Assim, a 1ª parte que engloba as três primeiras estrofes de “Tanto” no v.1 até “… uma hora” no verso 11 marcam o desconcerto amoroso do sujeito lírico que se vai construindo baseado em estados antitéticos e hiperbólicos; a segunda parte iniciada pela conjunção condicional “Se” no verso 12 introduz a negação e indecisão causada pelo desconcerto e a terceira e última parte iniciada com a conjunção “porém” marca a oposição face à dúvida e angústia anterior, mas que é reiterada pela conjunção causal “porque” e que assume apenas como causa o ver a mulher idealizada à maneira renascentista e petrarquista – a de que será por causa de ver uma “Senhora” que o seu estado incerto e dramático se perpetua.
8.1. Que |só| por|que| vos| vi|, mi|nha| Se|nho|ra – verso decassílabo grave
8.2. O esquema rimático é: ABBA/ ABBA/ CDE/ CDE – e a rima é emparelhada em B, interpolada em A e E e cruzada em CD.
8.3. Um exemplo de rima rica onde há correspondência de sons de palavras de classes gramaticais diferentes em “… incerto/…/ aperto”; outro exemplo de rima pobre ocorre com palavras da mesma classe gramatical “voando/…/ ando”, entre outros exemplos.
Há muitos (1) anos um velho poeta escreveu a tinta numa folha de papel um poema e (2), como era costume nesse tempo, lançou um pouco de areia sobre a folha para que (3) a tinta com que escrevera secasse mais depressa. Esperou alguns momentos depois (4) recolheu de novo a areia numa pequena caixa destinada a esse efeito. Reparou, então (5), que na folha de papel o poema tinha desaparecido. Não se preocupou muito. Sabia que as palavras que escrevera tinham ficado naqueles grãos de areia.
a) O referente é ‘estrela’.
b) O processo de retoma designa-se catáfora.
3.1. Conjunção coordenativa adversativa.
3.2. A conjunção tem valor de oposição.
3.3. Outros marcadores equivalentes: mas, contudo, todavia.
Grupo III
Produção livre em registo diarístico... fica o meu exemplo em jeito de prosa poética, disso de que os diários também são feitos:
Neste meu dia triste e cinzento, recordo-vos minha Senhora, bela de traços e de caráter inigualáveis, distintos dos da minha presente e abalada emoção. Sonho e anseio ver-vos e ter-vos, mas por hora só estas páginas secretas do meu diário inscrevem a dor e a saudade que aperta meu ser só de não vos ter. Meu amor confesso, mas ausente e ideal agita e serena meu ser, ocupa e liberta minha alma que de contente se entristece. Mas lamentar-me do amor, do vosso sentir é deveras o pesar da alma nula que existe em mim. Por isso, meu querido diário que me ouves e guardas, só tu compreendes por que de meu estado me acho incerto, ora na hora breve ora no acerto, porque tudo o que vejo, oiço, sinto e esqueço é forçado a tanto e por isso vivo neste assombroso desconcerto.