Da vida

Vicent van Gogh, The Mulberry tree, 1889

A vida é o dia de hoje,
a vida é ai que mal soa,
a vida é sombra que foge,
a vida é nuvem que voa;
a vida é sonho tão leve
que se desfaz como a neve
e como o fumo se esvai:
A vida dura um momento,
mais leve que o pensamento,
a vida leva-a o vento,
a vida é folha que cai!

João de Deus

Poesia do sem

Sem poesia adequada
Sem nada

(In)quietude

Aqui me sentei quieta
Com as mãos sobre os joelhos
Quieta muda secreta
Passiva como os espelhos

Musa ensina-me o canto
Imanente e latente
Eu quero ouvir devagar
O teu súbito falar
Que me foge de repente

Sophia de Mello Breyner Andresen, in Dual (1972)/ in Obra Poética (2010)

Vertido


Derramado
...
Perdido, perdido, este vagabundear dos meus olhos
sobre os livros fechados e decorados,
sobre as árvores roídas,
sobre as coisas quietas, quietas...
...

Fernando Namora, in Mar de Sargaços

Romancista, ensaísta, poeta [15-4-1919, Condeixa-a-Nova ~ 31-1-1989, Lisboa].

Branco claro

Sombra e forma

O poema há-de emergir da sombra

florir no zero e no silêncio
o poema que está dentro
da forma por nascer
o poema que já é
antes de ser.


Manuel Alegre, in Nada está escrito, Ed. Dom Quixote, 2012

Branco escuro


Depois do branco

Quem sabe o que na página se esconde

e se dentro do branco está um muro
e se depois do muro não há onde
e se depois do branco é tudo escuro?


Quem sabe o que pode acontecer 
quando ao verso já escrito outro se junta
e tudo está no verso por escrever
e o que se escreve é só uma pergunta?


Quem sabe o que se vê e não se vê
se por dentro do branco apenas cabe
esse nome que nunca ninguém lê
e o verso que se sabe e não se sabe?


Manuel Alegre, in Nada está escrito, Ed. Dom Quixote, 2012


Entrelinhas


Então escrever é o modo de quem tem a palavra como isca: a palavra pescando o que não é palavra. Quando essa não-palavra – a entrelinha – morde a isca, alguma coisa se escreveu. Uma vez que se pescou a entrelinha, poder-se-ia com alívio jogar a palavra fora. Mas aí cessa a analogia: a não-palavra, ao morder a isca, incorporou-a. O que salva então é escrever distraidamente. 


CLARICE LISPECTOR, in ÁGUA VIVA (Francisco Alves Editora. 11ª. Edição, RJ, 1990: p.25)


Alinhavo

Anabela Dias, Temporal
Pouco tenho para alinhavar.

Dizer-te que estou longe
não apaga esta ausência que,
inelutavelmente,
nos distanciou.

Cercam-nos muros de silêncio
opresso.
A própria hera não ousa
na despudorada nudez branca
de paredes que interditam

a fantasia ao forasteiro
voraz.
O gesto tolhido,
o pretexto adiado
a memória a estiolar.

Eduardo Pitta

Imagens


Retrato

O meu perfil é duro como o perfil do mundo.
Quem adivinha nele a graça da poesia?
Pedra talhada a pico e sofrimento,
É um muro hostil à volta do pomar.
Lá dentro há frutos, há frescura, há quanto
Faz um poema doce e desejado:
Mas quem passa na rua
Nem sequer sonha que do outro lado
A paisagem da vida continua.

Miguel Torga, Diário VI


Paul Cézanne, Maçãs, pêssegos, peras e uvas (1879-1880)

Poemas em análise

Agora que andamos à volta do texto poético no 8º ano, segue-se a abordagem ao poema de Eugénio de Andrade que aconteceu hoje - metodologia que se espera inspiradora para a preparação das apresentações dos trabalhos de grupo dos alunos, na próxima semana, e  porque solicitaram divulgação aqui fica, apesar do formato no slideshare anular os efeitos especiais das entradas dos tópicos. 

Poemas acordados

No âmbito do concurso Ler nas Entrelinhas| Entre o sono e o sonho, foram enviadas as participações dos alunos do 8ºB, onde se destacou o Pedro com o primeiro prémio:



Entre o sono e o sonho
Vejo as estrelas nas paredes
Dos meus olhos, por que
Os sonhos requerem tanto de mim

Por que viajo pelo universo
Sem sair no meio dos lençóis de cetim?
Porquê vasculhar o meu passado?
Mas que pena não estar acordado

Correr sobre a terra e o céu
E andar por terras inexploradas
Explorar as florestas virgens
Abre os olhos não adormeças!

Acordar para quê?
Se podemos tudo nos sonhos
Deus diz para eu ir para ali
Mas eu não escolho o que o
Diabo destina para mim

Estou cheio de sono, quero ter outro sonho.

Pedro Jacinto, 8ºB



Entre o sono
Queremos o sonho
Desde que não seja medonho.
Gosto de sonhar
Sempre é melhor que acordar.
Ao estarmos a sonhar
Estamos a imaginar
Coisas que sempre quisemos experimentar.
Como ainda não as podes fazer
Tens de sonhar para as ter.

Rodrigo Alves, 8ºB



Há muito quem diga
que às vezes acordamos
sem ninguém que nos diga.

Sem sono, sem alma
viajo sempre nas calmas
ora acordo rabugento ou
indignado, fico sempre atordoado.

Entre marés, rios e riachos
entre o sonho e o sono
há sempre esperança por
um dia novo.

Ora estamos a ter
um sonho ou um pesadelo,
e acordamos sempre num novelo.

Eduardo André Livramento, 8ºB





Concursos a Ler+

Com a participação na iniciativa "Conheço um escritor" da revista Visão Júnior nas edições de maio e junho, ficámos a conhecer melhor os escritores Valter Hugo Mãe que conhecemos e entrevistámos pessoalmente e a Margarida Fonseca Santos através do envio de questões, e assim promovendo a leitura ampliamos o conhecimento sobre outros universos, outras obras e autores... a visualização total aqui.


No ocaso


Em Todo o Caso

Remancha, poeta,
Remancha e desmancha
O teu belo plano
De escrever p'la certa.
Não há "p'la certa", poeta!

Mas em todo o caso acerta
Nem que seja a um verso por ano...

Alexandre O'Neill, No Reino da Dinamarca

In absentia



Thomas C. Fedro, Separation Anxiety, 2006
Ausência


Num deserto sem água
Numa noite sem lua
Num país sem nome
Ou numa terra nua
Por maior que seja o desespero
Nenhuma ausência é mais funda do que a tua



Sophia de Mello Breyner Andresen, in MAR NOVO (Guimarães Ed, 1958), OBRA POÉTICA (Caminho, 2010)

Novelo nublado


A memória é um novelo


Novelo


de pequenas
artérias
rebentadas


por ali
escorre
a memória


a pulsação
que dói


quem não recorda
não vive


não desenrola
o fio
que redime




Yvette K Centeno in Entre Silêncios, Pedra Formosa Edições, 1997

Licenciada em Filologia Germânica pela Faculdade de Letras de Lisboa (1963) com uma tese sobre Robert Musil e o Homem sem Qualidades, doutorou-se em Literatura Alemã, em 1979, com uma dissertação sobre A Alquimia e o Fausto de Goethe e um trabalho complementar sobre Thomas Vaughan, Um Filósofo Hermético do Século XVII.
Poeta, ficcionista, dramaturga, ensaísta e tradutora, é desde 1986, professora catedrática na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, onde lecciona desde 1974. 
A sua obra criativa, donde se destaca fundamentalmente a produção poética e a prosa de ficção, é de natureza lírica, subjectiva. Na linha de um experimentalismo moderado, os seus textos de ficção preferem o lado simbólico do imaginário ao lado realista, enquanto a poesia se revela como um espaço avesso à narratividade e a oportunidade de criar cumplicidade entre a elipse e a revelação simbólica do mundo. 


Em torno de Saramago

12º ano | Memorial do Convento, José Saramago


Hoje chegamos ao fim e assistimos a um vídeo síntese por uma especialista em Saramago, a fim de ampliares o teu conhecimento que estará sempre em construção ao longo da vida...



"Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara." 
José Saramago

O que destacas do que viste e ouviste?

Agora fica o trailler para posteriormente descobrires o documentário sobre o Nobel...

Escrevendo à volta da viagem

12º ano | Memorial do Convento, José Saramago

Para além da verificação da leitura, do funcionamento da língua e de outras atividades formativas no decurso deste módulo, seguiu-se a última proposta de produção escrita, realizada ontem, em torno das perspetivas da viagem apontadas pelas citações dos autores abaixo, como pretexto para a elaboração de uma reflexão pessoal (texto expositivo):

“…a que mais continentes da terra e do ar me levarás tu, máquina, o vento ruge-me aos ouvidos, nunca ave alguma subiu tão alto…”
“… então Blimunda perguntou, Aonde vamos, e o padre respondeu, Lá onde não possa chegar o braço do Santo Ofício, se existe esse lugar.”
“O homem primeiro tropeça, depois anda, depois corre, um dia voará, respondeu Bartolomeu Lourenço.”
in José Saramago (1982). Memorial do Convento. Lisboa: Caminho

“Talvez as viagens, todas as viagens, se façam principalmente pelo lado de dentro. Talvez, quem sabe o viajante, procurando um mundo, caminhe sempre de regresso a casa.
Porque tudo o que o viajante deixou atrás de si o segue. A casa é a sombra do viajante.”

in Manuel António Pina (2010), Por outras palavras & mais crónicas de jornal. Lisboa: Modo de Ler.



Passarola in Fundação José Saramago



"O fim duma viagem
é apenas o começo
doutra.
É preciso recomeçar
a viagem.
Sempre"

José Saramago 

III Contrato de leitura 8ºano

No decurso deste 3º período letivo e devido a algumas dificuldades na seleção dos livros, e na sequência da leitura em aula de excertos de Antes de começar de Almada Negreiros e que despertaram muito interesse e curiosidade, segue o belíssimo texto dramático completo para leitura recreativa e preenchimento da ficha de leitura, de que transcrevemos o excerto final:

"A BONECA - Ah!... é assim, juro! É exactamente assim que bate o coração! 
O BONECO - Acredita no coração! Ele sabe de cor o que quer!... Não foi necessário  ao coração ir aprender o que queria... A nossa cabeça é que precisa de aprender o que quer o coração!
A BONECA - É assim que bate o coração...
O BONECO - O coração nunca está só... O nosso coração é nosso, ele não pode viver sem aquele a quem pertence... ele espera por nós!
A BONECA - Às vezes, a cabeça quer ser mais do que o coração... e fica de costas viradas p'ro coração!
O BONECO - A cabeça não deve ser senão o que o coração quiser! Nunca é o coração que nos falta, somos nós que faltamos ao coração!
A BONECA - Ah!... é assim, juro, é assim que bate o coração!...
O BONECO - Só não entende o coração quem não sabe escutá-lo... ele está sempre a contar aquela hora por que se espera... aquela hora que existe p'ralém da sabedoria... e que tem a forma simplicíssima dum coração natural!..." 


in Almada Negreiros, Antes de Começar

IV Contrato de leitura 10º ano

10º ano | Módulo 4


O programa de Português para o módulo em estudo estipula a leitura de contos ou novelas do séc.XX, paralelamente da literatura portuguesa ou expressão portuguesa, bem como da literatura universal. 
Lê passagens das sugestões abaixo e depois opta por uma das 4 propostas para o contrato de leitura:

1. Literatura Portuguesa


Manuel da Fonseca - O vagabundo na esplanada.

2. Literatura Estrangeira de Expressão Portuguesa:

Literatura brasileira - Clarice Lispector - ouve e acompanha o conto "Felicidade Clandestina" em audio e texto.


Literatura angolana - José Eduardo Agualusa - "O quarto anjo".


Literatura moçambicana - quatro contos integrais de Mia Couto: vê o vídeo para conheceres o escritor, aqui.


3. Vê o filme Bem-vindo e elabora uma ficha de leitura crítica de filmes, onde abordes os seguintes aspetos:

I Ficha técnica do filme
II Análise do cartaz publicitário do filme (da capa do DVD):
- Descrição objectiva do cartaz
- Simbologia dos elementos constitutivos
- O que contribui para despertar o teu interesse pelo filme
III Breve sinopse do filme e abordagem das temáticas retratadas
IV Apresentação e caracterização das personagens principais
V Elaboração de um texto: artigo de apreciação crítica


4. Produção de um audioconto: escolhe um conto e faz a gravação da leitura do conto em ficheiro Wavw ou mp3. - depois grava também a tua análise crítica seguindo os itens da ficha de leitura.

Contrato de leitura 12º ano

12º ano | Módulo 12


Agora podes ler uma narrativa breve selecionando um conto de entre trinta autores representativos da literatura portuguesa contemporânea e assim aumentarás a tua cultura geral: Antologia do Conto Português Contemporâneo.

Mas também poderás ficar a conhecer autores da literatura universal, acedendo aos Contos Russos ou no e-book abaixo, onde encontras nomes sonantes como Fiodor Dostoiévski, Leon Tolstói ou Anton Tchekov, entre muitos outros: 

Para uma boa escolha deves ler alguns parágrafos das propostas apresentadas, de modo a sentires o prazer da leitura na identificação com a narrativa escolhida.
Depois preenche a habitual ficha de leitura.


Efeméride

José Silva, Mãe


Palavras para a Minha Mãe 

(...)

a fotografia em que estou ao teu colo é a fotografia
mais bonita que tenho, gosto de quando estás feliz.

(...)

José Luís Peixoto, in A Casa, a Escuridão

De A a Z

12º ano Português
Módulo 12 | Memorial do Convento, José Saramago

Completar o abecedário do texto narrativo em estudo - Memorial do Convento (1982) de José Saramago - mobiliza conhecimentos sobre a obra.
Assim, preenche com nomes de personagens, ambientes, espaços, autores dos textos parodiados, cenas, enredos, objetos e tudo o mais que se relacione com a obra em estudo...
Os vossos contributos nos comentários serão adicionados aqui:

Áustria (país de D. Maria Ana Josefa, rainha)
Blimunda (Sete-luas); 
Baltasar (Sete-sóis)
Bartolomeu (padre que queria voar e morreu doido)
Convento de Mafra (O rei prometeu construir um convento na vila de Mafra para os franciscanos caso a sua mulher engravidasse)
Domenico Scarlatti (compositor)
E
Frade Franciscano (diz ao rei que se ele prometer construir um convento em Mafra, Deus lhe dará o desejado filho)
G
Holanda, (partida do padre Lourenço para esse país e partida também do casal para Mafra).
I
José Saramago (autor do romance)
João Elvas (um antigo soldado, um vadio e amigo de Baltasar).
K
Lisboa (descrevem-se vários espaços dos quais se destacam o Terreiro do Paço, o Rossio e S. Sebastião da Pedreira).
Mafra (segundo macroespaço. Até à construção do convento, a vida de Mafra decorria na vila velha e no antigo castelo, próximo da igreja de Sto. André).
Maria Bárbara (filha de D. João V e de D. Maria Ana Josefa)
N
O
Passarola (máquina voadora = sonho)
Q
R
Sebastiana Maria de Jesus (mãe de Blimunda. É considerada uma bruxa).
T
Ubaldo (herói anónimo)
Vontades ("combustível" usado para pôr a passarola a voar)
X
Y
Zacarias (herói anónimo)



In absentia


Canção à Ausente

Para te amar ensaiei os meus lábios...
Deixei de pronunciar palavras duras.
Para te amar ensaiei os meus lábios!

Para tocar-te ensaiei os meus dedos...
Banhei-os na água límpida das fontes.
Para tocar-te ensaiei os meus dedos!

Para te ouvir ensaiei meus ouvidos!
Pus-me a escutar as vozes do silêncio...
Para te ouvir ensaiei meus ouvidos!

E a vida foi passando, foi passando...
E, à força de esperar a tua vinda,
De cada braço fiz mudo cipreste.

A vida foi passando, foi passando...
E nunca mais vieste!

Pedro Homem de Mello, in Segredo

Poeta da geração Presença [6-9-1904, Porto - 5-3-1984, Porto] formado em Direito pela Universidade de Coimbra, professor de Português e de Literatura Portuguesa no ensino técnico.
Autor de uma extensa obra (cerca de 25 volumes de poesia), cujas temáticas se inscrevem em duas linhas - a paisagem humana e natural desde o norte minhoto ao centro litoral e a da densidade conflituosa das paixões à qual se prende uma manifestação líria quase confessional.
Foi distinguido com o Prémio Antero de Quental (1940) e o Prémio Nacional de Poesia (1973). A sua obra poética encontra-se compilada em Poesias Escolhidas (1983). Como estudioso do folclore nacional, escreveu A Poesia na Dança e nos Cantares do Povo Português (1941) e Danças de Portugal (s/d).

Conheço um escritor



Na última 4ªfeira, 18/4/2012 e no âmbito do concurso “Conheço um escritor” promovido pela Visão Júnior foi possível conhecer e entrevistar Valter Hugo Mãe que, entre muitas outras informações interessantes decorrente das questões colocadas pela Ana Baptista do 8ºano e pelo pequeno Rui amigo pessoal do escritor, bem como de outros alunos do país, que enviaram as suas questões, nos deu a conhecer mais de si:
Escolhera o café Páteo em Vila do Conde para a entrevista, porque apesar de gostar do planeamento isolado e calmo em casa, gosta do ambiente e até do ruído para a criação. Lá escreve páginas e páginas no seu telemóvel… O Páteo também, porque diz que “é como se fosse o pátio das nossas casas onde não precisamos de nos vestir melhor nem de nos pentearmos, pois é como ir ao quintal das nossas casas”.
Apesar da formação em direito (exercera dois anos, mas não conseguia salvar o mundo  e por isso abdicara) começou o 1º livro aos 11 anos e depois deitou tudo fora, porque achou que aquilo não valia nada. A vida não é como a imaginara, pois ter uma padaria seria uma simples ambição, …teria gostado de ter sempre o que dar às galinhas... :-)
Está a escrever um novo romance que tem por tema central uma menina de 12 anos, islandesa que vive no frio das montanhas… Também escreve um livro infanto-juvenil “inspirado no seu sobrinho de 5 anos que diz coisas esquisitas e engraçadas” e a quem faz perguntas para obter a visão do mundo das crianças. O seu sobrinho afirma que as pessoas são coloridas :-) , o que o espanta de verdade.
Sobre a inspiração, esta surge de tudo o que vê, não no que as pessoas contam, mas no que imagina que sejam as suas histórias pessoais, inventando assim as suas vidas nos seus romances. Quando a Ana lhe perguntou se pensa que existem muitos homens calados, a propósito da obra “A história de um homem calado”, considera que sim, infelizmente, pois existe muito preconceito e este facto entristece-o – o de termos medo das pessoas diferentes. 
Dos seus escritores favoritos a Ana também o questionou e disse-nos que gosta particularmente de um poeta de leitura difícil, avesso a autógrafos e entrevistas – Herberto Hélder. Mas também gosta de Fernando Pessoa, Vergílio Ferreira, Saramago e António Lobo Antunes. Falou-nos ainda de um escritor pouco conhecido, mas que na sua opinião virá a ser notável – Afonso Cruz que escreveu “O pintor debaixo do lava-loiças”… ficámos curiosos. Mas o seu livro de sempre é “Metamorfose” de Kafka, a história do homem que se vê transformado em mosquito e cuja preocupação principal era o tormento de como ir para o trabalho, como vestir-se, pôr-se de pé, como continuar com a sua vida… 
Sobre futuras publicações: este ano sairá um livro que reunirá o conjunto de textos dispersos publicados em jornais e outros meios e ainda um livro para o qual não tem ainda título, facto que o aflige mesmo durante a noite, pois gosta de ter sempre um título para o que escreve… O livro que sairá em setembro estará mais próximo da autobiografia, onde falará mais sobre quem é, o que faz… Da música, estão a gravar para um novo álbum, no próximo ano. Sobre o que anda a ler… no fim do mês vai para o Brasil e por isso atualiza-se nessa área lendo “Zero” de Inácio de Loyola Brandão e o jornalista e escritor Cadão Volpato, escritores com quem vai conversar…
A crítica que mais o marcou até agora foi a de Saramago de que transcrevemos o excerto da contracapa do romance “O remorso de Baltasar Serapião”. Segundo Valter Hugo Mãe, este facto fez com que muita gente o conhecesse e lesse, dizendo acerca dos hábitos de leitura que “quem não lê é mais pobre”:

“Este livro é um tsunami, não no sentido destrutivo, mas no da força. Foi a primeira imagem que me veio à cabeça. Este livro é uma revolução. Tem de ser lido, porque traz muito de novo e fertilizará a literatura. Por vezes, tive a sensação de assistir a um novo parto da língua portuguesa.” 

José Saramago in “O remorso de Baltasar Serapião”

Pelo teatro

Ontem numa saída a Lisboa, fomos assistir à representação do texto dramático Falar Verdade a Mentir de Almeida Garrett (1799-1854), comédia cuja primeira representação ocorrera em 1845, na Sociedade da Tália, em Lisboa. Esta visita de estudo insere-se no âmbito do estudo do texto dramático e, constituindo texto de leitura integral no 8º ano, é pertinente para a compreensão e interesse pela leitura da obra e para o conhecimento de uma peça de um autor clássico da literatura portuguesa. Espera-se agora que a motivação para o estudo do texto seja ainda maior, porque os alunos apreciaram-no bastante na representação.

Falar Verdade a Mentir pela Companhia de Teatro O Sonho   

Ficam as opiniões, a apreciação dos alunos...





Titubeante

Liza Paizis, Lover's Tryst
Amanhã, o último texto literário no 8º ano - o conto integral do Prémio Nobel, Hermann Hesse, para finalizar a unidade do texto narrativo, do qual fica um breve excerto. E vamos deter-nos em alguns aspetos, entre os quais:
- o exemplo de narrativa cujo narrador participante é protagonista (autodiegético);
- o contraste antitético do espaço frio e exterior, da pista de gelo, com o interior da personagem emotiva e ansiosa, plena de emoções vivendo o amor;
- a constituição do campo semântico dos sentimentos amorosos.


O Cavaleiro sobre o gelo 
"Ao mesmo tempo comecei a cumprimentar delicadamente as raparigas e a reparar que elas reparavam nesta homenagem inusitada com um certo espanto, (...)
Muito mais difícil foi para mim o primeiro contacto, porque em toda a minha vida eu nunca tinha "engatado um rapariga". Tentei espreitar os meus amigos nessa primeira cerimónia. Uns faziam apenas uma vénia e estendiam a mão, outros gaguejavam qualquer coisa que não se percebia, mas a grande maioria usava a elegante frase: "Dá-me a honra?" Esta fórmula foi a que se impôs e eu treinei-a quando em casa, no meu quarto, fazia uma vénia, diante do fogão, pronunciando as solenes palavras.
Tinha chegado o dia difícil do primeiro passo. Já ontem tinha tido ideias de fazer uma declaração, mas voltei para casa desencorajado, sem ter ousado sequer. (...)
Estávamos agora de pé, em frente um do outro, amedrontados e perplexos, e sem dizer palavra. (...) E de repente enquanto me parecia ter os olhos enevoados, fiz mecanicamente uma profunda vénia e murmurei: "Dá-me a honra?"
Ela não disse nada, mas pegou-me nas mãos com os seus dedos delicados, e eu senti-lhes o calor através da luva e senti-me desvanecido. Sentia-me tão bem como num sonho fantástico. Uma sensação de felicidade, vergonha, calor, prazer e perplexidade quase me roubou a respiração. Passámos bem um quarto de hora a patinar juntos. (...)
O gelo derreteu e não pude repetir a tentativa. Foi a minha primeira aventura de amor. Mas passaram muitos anos até eu realizar o meu sonho e pôr a minha boca sobre a boca vermelha de uma rapariga."
Hermann Hesse, "O Cavaleiro sobre o gelo" in Contos de Amor, Difel

Escritor alemão [1877-1962] naturalizado suíço. De família muito religiosa, declinando a via missionária, dedica-se antes à literatura, cujo Prémio Nobel recebe em 1946 depois do Prémio Goethe.

Palavras que nos beijam

Hoje, 13 de Abril, Dia Mundial do Beijo...


Henri de Toulouse-Lautrec, In Bed: The Kiss,  1892
Como se cada beijo
Fora de despedida,
Minha Cloe, beijemo-nos, amando.


Ricardo Reis | Fernando Pessoa

Verificação da leitura

Como preparação para a avaliação da leitura de amanhã e da próxima sexta-feira, realiza os exercícios de verificação da peça teatral Felizmente há luar! de Luís de Sttau Monteiro nesta versão demo da Porto Editora. 
Relata os teus resultados nos comentários. 

Poesia I

Marta Faria, L'abbraccio tra la terra ed il cielo
Nesta tarde chuvosa de aguaceiros interiores
Vou imergindo no deambular dos ventos que
pairando e revolvendo tudo em redor, sublimam o meu interior.
Sinto frio e inércia neste inverno sobreposto em mim hoje, 
Mas um enorme aconchego, nos teus braços
Que hei de apertar, devolve-me o calor e a certeza do bom tempo.

2012 © PCAA

III Contrato de leitura 10º ano

Marta Farina, Parole e Capelli
10º ano | 
Módulo 3 - Textos dos Media I



Podes escolher, para o contrato de leitura, uma crónica de entre várias sugestões, algumas já aqui divulgadas outras em aula:

O valor das coisas, António Alçada Baptista
A ressurreição de Ivan Ilitch, José Luís Peixoto

Traços

Pablo Picasso, Young Girl Struck by Sadness, 1939 
Intimidade


Que ninguém hoje me diga nada. 
Que ninguém venha abrir a minha mágoa, 
esta dor sem nome 
que eu desconheço donde vem 
e o que me diz. 
É mágoa. 
Talvez seja um começo de amor. 
Talvez, de novo, a dor e a euforia de ter vindo ao mundo. 
Pode ser tudo isso, ou nada disso. 
Mas não o afirmo. 
As palavras viriam revelar-me tudo. 
E eu prefiro esta angústia de não saber de quê.


Fernando Namora [1919-1989], in Mar de Sargaços, Coimbra, 1940

Hora anterior

Vou dormir, dormir, dormir,

Nirvana

Vou dormir, dormir, dormir,
Vou dormir sem despertar,
Mas não dormir sem sentir
Que estou dormindo a sonhar.

Não insciência e só treva
Mas também estrelas a abrir
Olhos cujo olhar me enleva,
Que estou sonhando a dormir.

Constelada inexistência
Em que subsiste de meu
Só uma abstracta insciência
Una com estrelas e céu.


20-02-1928
Ricardo Reis| Fernando Pessoa

Impressões


Ontem dia Mundial de Poesia, e um poema hoje:


UM POEMA

Não tenhas medo, ouve:
É um poema
Um misto de oração e de feitiço…
Sem qualquer compromisso,
Ouve-o atentamente,
De coração lavado.
Poderás decorá-lo
E rezá-lo
Ao deitar
Ao levantar,
Ou nas restantes horas de tristeza.
Na segura certeza
De que mal não te faz.
E pode acontecer que te dê paz…

Miguel Torga

Lição nº100

Hoje, Português - 12ºano/PTIE - 100 lições, cem comentários, sem festas!

Guião de trabalho para a aula de Língua Portuguesa, 8ºB:

Vamos hoje construir o glossário do conto A Inaudita guerra da avenida Gago Coutinho de Mário de Carvalho, a fim de conhecermos o vocabulário, antes da análise textual das categorias da narrativa do conto.
Em trabalho de pares, lê o teu excerto, sublinha os termos difíceis ou desconhecidos para ti e para os teus colegas e procura a melhor definição no dicionário. Regista o teu trabalho num documento online, de forma colaborativa
No final obteremos um glossário que consiste numa lista de termos específicos ou listagem terminológica sobre um determinado assunto, o conto em estudo, neste caso.

Depois, pesquisa também quem é Mário de Carvalho e deixa nos comentários: nome, local e data de nascimento, formação académica/ estudos; atividades profissionais; obras publicadas (ano); géneros que escreve; entre outras informações. 
Ou copia para o teu caderno o perfil biobibliográfico do escritor e apresenta-o na aula.

Após o filme 'Felizmente há luar'

12º ano/ Português
Módulo 11| Felizmente há luar

Amanhã...

Depois da visualização do filme que reproduz a peça teatral Felizmente há luar, observemos o esquema síntese:

in Ser em Português, 12º ano, Areal Editores

1. Partindo do esquema sintetiza oralmente o conteúdo da peça;
2. Explica o sentido do título para os opressores e oprimidos;
3. Comenta a frase chave "Quem não é por nós é contra nós"


De seguida vamos analisar as influências do teatro brechtiano na obra de Luís de Sttau Monteiro, seguindo a leitura deste excerto:

                                              in Ser em Português, 12º ano, Areal Editores

4. O que se entende por teatro épico e efeito de distanciação?


Subsídios para o questionário:

Luís de Sttau Monteiro convida-nos através desta peça à análise objetiva à maneira de Brecht que concebeu um teatro didático e épico segundo o qual o espectador funciona como um observador crítico num mundo em pleno devir.
Segundo Brecht há uma ruptura com a concepção tradicional de teatro, na medida em que o teatro assim concebido não é mais destinado a criar terror e piedade na identificação com o herói e na função catártica (catarse) e purificadora, mas antes instaura-se na promoção da capacidade crítica e analítica de quem observa, substituindo-se o sentir pelo pensar. Há um convite à reflexão que os contextos ideológicos do tempo da história e do tempo da escrita, neste caso particular, promovem na denúncia da opressão e injustiça social e dos regimes absolutistas e fascistas e na luta pela liberdade. A peça coloca em paralelo as figuras dos generais Gomes Freire de Andrade e de Humberto Delgado que morrem em nome do Estado.
A peça é uma metáfora política que compara dois tempos e cujo objetivo primordial é espelhar a situação política do Estado Novo relativo à ditadura de Salazar (tempo do discurso, 1961) que enformava as mentalidades grotescas e medievais da nação "orgulhosamente só" em pleno séc. XX e fazendo regressar Portugal ao período do séc. XII anterior à morte de D. Sebastião, período envolto em brumas e obscurantismo.

Concertando o desconcerto

Para a finalização do estudo do texto poético do módulo 2/ 10ºano, seguiu-se a verificação de conhecimentos com esta ficha de avaliação.
Avaliação Camões Lírico -10ºano

Dado que os resultados ficaram abaixo do expectável, fica a resolução para copiares para o caderno a fim de verificares e aprofundares mais os teus conhecimentos sobre Camões lírico onde podes fazer a revisão dos conteúdos na preparação da ficha de repetição.
As respostas abertas que se seguem são meramente indicativas e constituem um referencial organizador que se pretende para este exercício escrito.


Proposta de correção
Grupo I
1.1. As marcas do eu lírico patentes na primeira estrofe são: “meu” determinante possessivo; “me” pronome pessoal e “choro” como exemplo de forma verbal na primeira pessoa.
2. As duas antíteses presentes na primeira estrofe são “Que em vivo ardor tremendo estou de frio;/ Sem causa, juntamente choro e rio,” (vv. 2,3) e exprimem a contradição dos efeitos do amor no sujeito lírico que manifesta diferentes e opostos estados de espírito.
3. Verifica-se ao longo do poema o tema do desconcerto do amor provocando incerteza “Tanto de meu estado me acho incerto” (v.1); a desordem, confusão e desvario amorosos “…sinto um desconcerto/…/espero… desconfio/… desvario…acerto” (2ªestrofe); inquietude e ansiedade provocados por uma “Senhora” (v.14).
4. O recurso expressivo patente no verso 6 consiste numa hipérbole, porque exprime o exagero que o sujeito poético exprime face à dor e às lágrimas que lhe saem da alma, mas também podemos considerar o verso como uma metáfora se atentarmos na comparação implícita que expressa a dor como um fogo que sai da alma e as lágrimas como um rio face ao sofrimento que o sujeito lírico experimenta.
5. O paralelismo anafórico verifica-se em “Agora espero, agora desconfio/ Agora desvario, agora acerto.” (vv. 7,8).
5.1. Com recurso ao paralelismo anafórico pretende-se evidenciar ou dar ênfase ao dilema dilacerante que a visão e o amor pela amada provocam no sujeito lírico.
6.Um exemplo de hipérbole podemos encontrar em “Estando em terra, chego ao Céu voando,” (v.9) o que traduz o exagero que o sujeito lírico expõe face ao sentimento e delírio intensos que nutre pela amada.
7. A divisão deste poema acontece tendo em conta os marcadores que colocados intencionalmente estruturam as partes lógicas e articuladas no poema. Assim, a 1ª parte que engloba as três primeiras estrofes de “Tanto” no v.1 até “… uma hora” no verso 11 marcam o desconcerto amoroso do sujeito lírico que se vai construindo baseado em estados antitéticos e hiperbólicos; a segunda parte iniciada pela conjunção condicional “Se” no verso 12 introduz a negação e indecisão causada pelo desconcerto e a terceira e última parte iniciada com a conjunção “porém” marca a oposição face à dúvida e angústia anterior, mas que é reiterada pela conjunção causal “porque” e que assume apenas como causa o ver a mulher idealizada à maneira renascentista e petrarquista  – a de que será por causa de ver uma “Senhora” que o seu estado incerto e dramático se perpetua.
8.1. Que |só| por|que| vos| vi|, mi|nha| Se|nho|ra – verso decassílabo grave
8.2. O esquema rimático é: ABBA/ ABBA/ CDE/ CDE – e a rima é emparelhada em B, interpolada em A e E e cruzada em CD.
8.3. Um exemplo de rima rica onde há correspondência de sons de palavras de classes gramaticais diferentes em “… incerto/…/ aperto”; outro exemplo de rima pobre ocorre com palavras da mesma classe gramatical “voando/…/ ando”, entre outros exemplos.

Grupo II
1.
Há muitos (1) anos um velho poeta escreveu a tinta numa folha de papel um poema e (2), como era costume nesse tempo, lançou um pouco de areia sobre a folha para que (3) a tinta com que escrevera secasse mais depressa. Esperou alguns momentos depois (4) recolheu de novo a areia numa pequena caixa destinada a esse efeito. Reparou, então (5), que na folha de papel o poema tinha desaparecido. Não se preocupou muito. Sabia que as palavras que escrevera tinham ficado naqueles grãos de areia.
2.
a) O referente é ‘estrela’.
b) O processo de retoma designa-se catáfora.
3.
3.1. Conjunção coordenativa adversativa.
3.2. A conjunção tem valor de oposição.
3.3. Outros marcadores equivalentes: mas, contudo, todavia.
4.
a) - 4
b) - 1
c) - 5
d) – 2, 3

Grupo III
Produção livre em registo diarístico... fica o meu exemplo em jeito de prosa poética, disso de que os diários também são feitos:

Neste meu dia triste e cinzento, recordo-vos minha Senhora, bela de traços e de caráter inigualáveis, distintos dos da minha presente e abalada emoção. Sonho e anseio ver-vos e ter-vos, mas por hora só estas páginas secretas do meu diário inscrevem a dor e a saudade que aperta meu ser só de não vos ter. Meu amor confesso, mas ausente e ideal agita e serena meu ser, ocupa e liberta minha alma que de contente se entristece. Mas lamentar-me do amor, do vosso sentir é deveras o pesar da alma nula que existe em mim. Por isso, meu querido diário que me ouves e guardas, só tu compreendes por que de meu estado me acho incerto, ora na hora breve ora no acerto, porque tudo o que vejo, oiço, sinto e  esqueço é forçado a tanto e por isso vivo neste assombroso desconcerto.

Aparição

Hoje, dia de carnaval...



A Máscara


Esta luz animada e desprendida
Duma longínqua estrela misteriosa
Que, vindo reflectir-se em nosso rosto,
Acende nele estranha claridade;
Esta lâmpada oculta, em nossa máscara
Tornada transparente e radiante
De alegria, de dor ou desespero
E de outros sentimentos emanados
Do coração dum anjo ou dum demónio;
Este retrato ideal e verdadeiro,
Composto de alma e corpo e de que somos
A trágica moldura, errando à sorte,
E ela, é ela, a nossa aparição,
Feita de estrelas, sombras, ventanias
E séculos sem fim, surgindo, enfim,
Cá fora, sobre a Terra, à luz do Sol.


Teixeira de Pascoaes, Cânticos (1925) in Poesia de Teixeira de Pascoaes

Equidistante

Distância

Não vás para tão longe!
Vem sentar-te
Aqui na chaise-longue, ao pé de mim...
Tenho o desejo doido de contar-te
Estas saudades que não tinham fim.

Não vás para tão longe;
Quero ver
Se ainda sabes olhar-me como d'antes,
E se nas tuas mãos acariciantes,
Inda existe o perfume de que eu gosto.

Não vás para tão longe!
Tenho medo
Do silêncio pesado d'esta sala...
Como soluça o vento no arvoredo!
E a tua voz, amor, como se cala!

Não vás para tão longe!
Antigamente,
Era sempre demais o curto espaço
Que havia entre nós dois...
Agora, um embaraço,
Hesitas e depois,
Com um gesto de tédio e de cansaço,
Achas inconveniente
O meu abraço.
[...]

Fernanda de Castro, in "Antemanhã"

O texto | coesão

Português - 10º ano

Módulo 2 | Funcionamento da língua: coesão interfrásica, lexical e referencial

Revê as noções de coesão que estudaste ao longo do módulo e realiza estas tarefas.

1. Coesão interfrásica - consiste na articulação relevante e adequada de frases ou segmentos textuais com recurso aos marcadores discursivos que vão para além das conjunções e locuções coordenativas e subordinativas.

Recorda alguns e preenche o texto com os seguintes conectores: devido - e - Embora - Feito o balanço -     Hoje - Mas - por outro lado - Por um lado - porque - visto que.

Um filho ou mais?
1) ___ , a maioria das famílias só tem um filho, 2) ___  isto implica despesas adicionais e recursos como uma casa grande, entre outros. 3) ___ ainda existam famílias numerosas, são cada vez menos as que optam por ter mais do que um filho, 4) _____  também à atual conjuntura.
5) ___, ter um só filho permite oferecer-lhe um conjunto de atividades e de bem-estar, 6) ___  no seio familiar conseguem conjugar-se melhor os afazeres e as exigências do dia-a-dia.
7) ___, 8) ____ o seio familiar fica mais empobrecido quanto ao número de elementos e partilha e, por vezes, instala-se a solidão do único filho que não tem com quem brincar, aprender e crescer.
9) ___ , seria óptimo que as famílias pudessem ter mais do que um filho, 10) ____ do ponto de vista da aprendizagem e da socialização seria a situação ideal.

2. Coesão lexical e referencial - imprime e faz os exercícios desta ficha formativa:
Coesão Lexical e Referencial