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| Edvard Munch, Amor and Psyche, 1907 |
Lembra-te
Lembra-te
que todos os momentos
que nos coroaram
todas as estradas
radiosas que abrimos
irão achando sem fim
seu ansioso lugar
seu botão de florir
o horizonte
e que dessa procura
extenuante e precisa
não teremos sinal
senão o de saber
que irá por onde fomos
um para o outro
vividos
Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto tão perto tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura
Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco
Mário Cesariny, in Pena Capital
[Lx, 1923-2006, Lx]
Poeta e pintor, frequenta a Escola de Artes Decorativas António Arroio. Conhece o surrealista francês André Breton e em Lisboa funda o Grupo Surrealista Dissidente depois de acesas polémicas com o mesmo grupo de Lisboa. Faz a primeira exposição coletiva em 1949 e em 1950 publica o primeiro livro Corpo Visível. O Surrealismo marca em Cesariny o ponto de partida de um percurso artístico profundamente vivido ao longo da segunda metade do século XX, tanto na escrita como nas artes plásticas.










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