"Dante e Beatriz"

Na passada 6ªfeira, as dúvidas sobre a verdade de “Dante e Beatriz” trazem aqui alguns factos e certezas para elucidar a Mariana, a Márcia e o Flávio… e justificam-se porque Sophia de Mello Breyner Andersen inseriu este episódio na obra o Cavaleiro da Dinamarca e alguns questionam-se sobre os factos aí narrados.

Assim…
Dante Alighieri (Florença, 1265 – Ravena, 1321) é considerado o primeiro e maior poeta de língua italiana com igual paralelo a Camões para a língua portuguesa. Recebendo uma vasta educação poética difundida pela Escola Poética da Sicília que divulgou autores medievais, mas também os da Antiguidade Clássica como Virgílio, autor da Eneida, bem como Horácio, Ovídio, Cícero, entre outros, na formação de Dante que, aos dezoito anos, iniciou o Dolce Stil Nuovo na poética, para além do gosto por outras expressões como a pintura e a música, torna-se um ícone inspirador em várias expressões.
Ter-se-á de facto apaixonado por Beatriz, embora não haja registos que atestem, em pormenor, mais detalhes e esta terá morrido em 1290, facto que levou Dante a um refúgio espiritual na filosofia da literatura latina (Antiguidade Clássica) da qual havia recebido assaz formação.
Para além das demais vicissitudes da sua atribulada vida política que o levaram ao exílio, foi o autor da consagrada obra A Divina Comédia que descreve, assim, a sua viagem através do Inferno e Purgatório (guiado pelo poeta Virgílio, símbolo da razão humana) e finalmente pelo Paraíso guiado pela mão da sua amada Beatriz (símbolo da graça divina).

Sobre o livro, de estrutura épica, com versos decassílabos (ou decassilábicos) apresenta-se dividido em 100 capítulos/cantos, rigorosamente simétricos, em tercetos segundo a técnica terza rima, pois o 2º verso comanda o 1º e o 3º versos da estrofe seguinte e assim sucessivamente quanto à rima e acentuação.
- Inferno, com 34 cantos
- Purgatório, com 33 cantos
- Paraíso, com 33 cantos

O título Comédia, aplica-se na sua acepção original, por terminar bem, i.e. no Paraíso, o que contrasta com Tragédia cujo terminus visa a compaixão e o terror  – ambos sub-géneros, não antagónicos contudo, do género Dramático.
O livro “Inferno” descreve de forma cinematográfica a agitação angustiada das paixões enquanto  que “Purgatório” e “Paraíso” são mais metafóricos, sendo este último mais lírico e humano.

As referências para maior aprofundamento:
- Da Wikipedia, enciclopédia livre, a Biografia de Dante;
- Da Wikiquote, fonte de citações, encontramos algumas   expressões;
- Da Wikimedia Commons, repositório media, encontramos mais informação;
- Da Wikisource, fonte de textos originais, fica a tradução da obra em poesia;
- Uma versão em prosa, de leitura mais acessível e outros detalhes. 

E três passagens do intróito dos Cantos I da versão em poesia, motivadoras da leitura que faremos amanhã e depois em contexto de sala de aula:

Dante, perdido numa selva escura, erra nela toda a noite. Saindo ao amanhecer, começa a subir por uma colina, quando lhe atravessam a passagem uma pantera, um leão e uma loba, que o repelem para a selva. Aparece-lhe então a imagem de Virgílio, que o reanima e se oferece a tirá-lo de lá, fazendo-o passar pelo Inferno e pelo Purgatório. Beatriz, depois, o guiará ao Paraíso. Dante o segue. (Divina Comédia, Inferno, Canto I)
Saindo do Inferno, Dante respira novamente o ar puro e vê fulgentíssimas estrelas. Encontra-se na ilha do Purgatório.O guardião da ilha, Catão Uticense, pergunta aos dois Poetas qual é o motivo da sua jornada. Ele os instrui, depois, relativamente ao que devem fazer, antes de iniciar a subida do monte. (Divina Comédia, Purgatório, Canto I)   
Invocando Apolo, o Poeta conta como do Paraíso Terrestre ele e Beatriz se alçaram ao Céu, atravessando a esfera do fogo. Beatriz explica-lhe como possa vencer o próprio peso e subir. É atraído pelo invencível amor. Seguindo as teorias de Ptolomeu, Dante põe a terra imóvel no centro do Universo e, em redor dela, em órbitas concêntricas, os céus da Lua, de Mercúrio, de Vênus, do Sol, de Marte, de Júpiter, de Saturno, a oitava esfera, que é a das estrelas fixas, a nona, ou primeiro móvel, e finalmente o Empíreo, que é imóvel. Transportado pela força que faz rodar os céus e pela luz sempre crescente de Beatriz, Dante eleva-se de um céu para outro, e em cada um deles aparecem-lhe os espíritos bem-aventurados que, quando vivos, possuíram a virtude própria do respectivo planeta. (Divina Comédia, Paraíso, Canto I)

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