Resumir

Escrita para apropriação de técnicas  e de modelos: o resumo


A técnica do resumo nem sempre é fácil, porque a distinção entre o essencial e o acessório requer competências de compreensão e síntese.
Amanhã, a partir de um texto da tradição oral (lenda Dinorah) e da primeira leitura colectiva, em trabalho de pares, cada grupo faz a síntese de cada uma das seis partes delimitadas previamente. Posteriormente, redigem o texto num exercício de condensação articulando, com recurso aos conectores, a síntese de cada parte. Finalmente, cada grupo faz a autocorrecção a partir destes itens, e lê o seu resumo à turma que faz a apreciação dos trabalhos:

RESUMO - Autocorrecção
1.       Referi apenas as ideias ou os factos principais do texto a resumir?
2.       Respeitei a ordem das ideias do texto original?
3.       Transformei o discurso directo em discurso indirecto?
4.       Evitei transcrições do texto original?
5.       Usei palavras minhas?
6.       Construí a estrutura textual em parágrafos?
7.       Articulei bem as frases com diversos conectores?
8.       O texto resumido tem cerca de 1/3 do tamanho do texto original?

Recolha de poemas

Agora, os alunos do 8ºD editam um documento acrescentando quadras ou versos de diversos poetas sob a temática do amor, a fim de construírem um dominó alusivo ao São Valentim, numa articulação entre as disciplinas de Língua Portuguesa e Educação Tecnológica: escrita colaborativa aqui.




Marcadores do discurso

Segundo o Dicionário Terminológico, os conectores ou marcadores discursivos (capítulo da análise do discurso, retórica, pragmática e linguística textual) estabelecem conexões entre enunciados, mantendo e orientando o contacto do locutor com o interlocutor, e podem subdividir-se em:
- estruturadores da informação com a função de ordenação (em primeiro lugar; por um lado; por último;...);
- reformuladores com a função de rectificação e explicação (ou seja; por outras palavras; dizendo melhor;...);
- operadores discursivos com a função de reforço argumentativo e de concretização (de facto; na realidade; por exemplo; ...);
- marcadores conversacionais ou fáticos (ouve; olha; presta atenção; ...);
- conectores que contribuem de modo relevante para a coerência textual, orientando o receptor na interpretação dos enunciados, na construção de inferências e no desenvolvimento de argumentos e de contra-argumentos. São exemplos de conectores as interjeições, advérbios e conjunções. 

Oficina de escrita

A oficina de escrita, metodologia decorrente dos novos programas de Português estipula as três fases da escrita, de que dei conta num post sobre relações de hierarquia entre palavras. Depois do treino em trabalho de pares, onde os alunos fizeram a planificação e a textualização, todos chegaram à conclusão que havia melhorias a implementar, quer na estrutura quer na ligação frásica, depois da leitura dos trabalhos à turma, objecto de auto e hetero-avaliação. Dadas as lacunas, propus-lhes exercícios com os conectores (conjunções coordenativas, nesta primeira fase), onde treinaram também a pontuação nas orações coordenadas. Depois, perceberam que o texto fica mais rico, numa liguagem mais elaborada com recurso a diversos conectores. Este passo serviu para fazerem a revisão do texto, donde concluíram com satisfação que tinham recriado textos maravilhosos e bem estruturados.
Para testar esta sequência de aprendizagem, amanhã os alunos estarão à prova realizando uma ficha de avaliação da expressão escrita que mobiliza também o conhecimento dos conectores trabalhados nas aulas, sabendo já o que vou considerar... 

O que vou avaliar na tua expressão escrita:
- O meu texto apresenta claramente 3 partes: introdução, desenvolvimento e conclusão?
- O meu texto está estruturado em vários parágrafos?
- O texto mostra progressão com hierarquias/sequências/séries/categorização (hiperónimos e hipónimos)?
- Utilizei vários conectores organizadores das ideias?
- A minha caligrafia é legível?
- Pontuei devidamente?
- Coloquei os acentos?

Expressão oral - Lendas

Na sequência dos textos de tradição oral, seguem as orientações para a primeira apresentação oral deste período lectivo:

1. Pesquisa o que são lendas; as suas características...;
2. Lê várias lendas nos sites abaixo ou pesquisando na BE/CRE e escolhe um texto:
a. Conta a lenda por palavras tuas, apresentando as suas características, ...;
b. Apresenta no quadro, via projector, um exercício* para testares a turma, após a tua exposição oral.


------------> Planifica a tua apresentação/ expressão oral 
Planificação da exposição oral, construindo um pequeno guião que deverá conter: 
a. esquematização da introdução, do desenvolvimento e da conclusão com as respectivas palavras-chave;
b. expressões com a função de apresentar opiniões pessoais: na minha opinião, do meu ponto de vista, penso que, estou certo de que, é minha convicção…; 
c. expressões para organizar o discurso: em primeiro lugar, em segundo lugar,  além disso, por um lado… por outro lado, depois, a seguir…; 
d. utilização de conectores de natureza causal: porque, uma vez que, já que, visto que…; 
e. utilização de marcadores textuais próprios para finalizar o discurso: concluindo/ para  concluir, finalmente, por fim, em síntese, resumindo… . 

Apresenta a tua opinião de acordo com o que planificaste. Procura também: 
a. assumir uma atitude responsável; 
b. controlar e projectar a voz; 
c. usar gestos e movimentos adequados.

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* Sugestões de exercícios no word ou online:
- ficha de escolha múltipla/ multi-choise (http://www.what2learn.com/games/add/http://www.purposegames.com/create)
- ficha de verdadeiro/ falso/ ?
- ficha de associação/ ligação de itens
- um vídeo ou música para uma abordagem complementar

Avaliação da expressão oral:
1. Aspectos verbais: informação pertinente e discurso coerente (introdução, desenvolvimento, conclusão do tema/assunto).
2. Aspectos não verbais: postura, gestos, voz (entoação, dicção).

Construir um ano realmente novo

Desejar um Ano Novo é fácil, mas efectivar mudanças e diferenças face ao ano que passou requer esforços e a consolidação de passos na direcção exacta do que queremos alcançar. Nada mais prático do que uma boa teoria, seguindo uma receita... porque o novo reside e brota de cada um de nós, façamos a diferença reparando o errado e edificando algo verdadeiramente surpreendente.

Receita de Ano Novo

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido
(mal vivido ou talvez sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo 
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?).
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)


Poeta brasileiro, modernista, coevo dos poetas portugueses Fernando Pessoa, Mário de Sá Carneiro, Almada Negreiros, entre outros, cultivou a liberdade linguística do verso e metro livres. O Modernismo - movimento cultural da 1ª metade do séc. xx - surge em ruptura estética com os padrões académicos, com a tradição e o passado, cultivando a criação livre, o sentido anárquico, irreverente e demolidor. Surge em Portugal com a publicação da revista Orpheu em 1915, impulsionada por aqueles poetas futuristas.